O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reúne nesta 5ª feira (15.jan.2026) para discutir a crescente tensão entre o Irã e os Estados Unidos. A convocação foi feita pelo governo norte-americano, que tem sinalizado a possibilidade de uma operação militar contra o país. A informação é da agência de notícias AFP (Agence France-Presse).
Desde dezembro de 2025, milhares de iranianos protestam nas principais cidades contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. O governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano) indicou que poderia lançar um ataque militar contra o Irã. Teerã afirmou que responderá a qualquer ação militar estrangeira.
Trump tem manifestado apoio aos protestos. Na 3ª feira (13.jan), por exemplo, o presidente cancelou todas as conversas com autoridades iranianas. Também incentivou que os manifestantes “tomem as instituições”.

Antes, no domingo (11.jan), além de mencionar possíveis reuniões com autoridades iranianas, Trump aumentou a pressão sobre a República Islâmica. O norte-americano chegou a ameaçar com possível ação militar em resposta à violência contra manifestantes. Trump também disse estar em contato com a oposição iraniana.
Segundo a Reuters, os Estados Unidos iniciaram a retirada parcial de funcionários de bases militares estratégicas no Oriente Médio como medida de precaução. Dois funcionários europeus ouvidos pela agência afirmaram que uma operação militar norte-americana poderia ocorrer em breve.
Uma fonte militar disse à Reuters que “todos os sinais indicam que um ataque dos Estados Unidos é iminente”, mas ponderou que a imprevisibilidade faz parte da estratégia do governo Trump.
Ainda segundo a agência de notícias, o Irã tem solicitado a países da região que intervenham para impedir um ataque norte-americano. Uma autoridade iraniana, falando sob anonimato, disse que aliados foram contatados para auxiliar nas negociações.
PROTESTOS NO IRÃ
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
- Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):
Até o momento, a estimativa de mortos nos protestos no Irã varia de 2.400 a 12.000, de acordo com ONGs e a mídia internacional.
