O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli autorizou nesta 5ª feira (15.jan.2026) que 4 peritos indicados pela PF (Polícia Federal) acessem os dados dos celulares de Daniel Vorcaro e demais provas das investigações relacionadas ao Banco Master. Eis a íntegra (PDF – 104 kB).
Os peritos autorizados por Toffoli são:
- Luis Filipe da Cruz Nassif;
- Tiago Barroso de Melo;
- Enelson Candeia da Cruz Filho;
- Lorenzo Victor Schrepel Delmutti.
Na 4ª feira (14.jan), Toffoli havia restringido o acesso às provas colhidas para a PGR, retirando a PF do processo de perícia. A nova decisão permite que os técnicos da PF possam periciar as informações com o acompanhamento da PGR (Procuradoria Geral da República).
Os dados e informações relacionados ao caso que foram colhidos pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) também ficaram limitados, em 13 de dezembro, ao acesso do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
O QUE DISSE A PF
Em ofício enviado a Toffoli na 4ª feira (14.jan), o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, afirmou que a determinação dificultava o desenvolvimento da investigação. Ele citou a possibilidade de bloqueio remoto e autodestruição lógica de dispositivos eletrônicos, o que, segundo Rodrigues, representa um risco na investigação. Por isso, pediu que o ministro reconsiderasse a sua decisão.
Andrei também disse que o atraso no cumprimento das medidas estabelecidas pelo ministro ocorreu por circunstâncias operacionais. Declarou que havia outras operações complexas da polícia judiciária marcadas para o dia anterior, como a nova fase da operação Overclean, que investiga desvios de emendas. Disse também que a PF trabalhava com endereços que estavam pendentes de atualizações e alvos em deslocamento, circunstâncias que demandam maior cuidado para garantir a efetividade.
ENTENDA
Inicialmente, Toffoli havia determinado que todos os materiais apreendidos fossem imediatamente lacrados e acautelados no STF para serem periciados pelas autoridades competentes. A ideia do ministro era que assim fossem evitados vazamentos e dispersão dos dados. Ele não havia recebido os objetos em seu gabinete até o final da tarde de 4ª feira (14.jan).
Algumas horas depois, emitiu novo despacho e retirou da Polícia Federal o poder para periciar os materiais coletados sobre o caso do Banco Master. Na mesma decisão, repassou a tarefa para a Procuradoria Geral da República e também fez críticas ao Banco Central, citando “vulnerabilidades” na “regulação e fiscalização” por parte da autarquia. Eis a íntegra (PDF – 117 kB) da decisão.
“Com efeito e tal como referido pelo Parquet [Ministério Público] em manifestações anteriores, a presente investigação possui escopo mais amplo e não se confunde com os inquéritos anteriormente instaurados, na medida em que, em tese, teria revelado que fundos eram operados para a gestão fraudulenta, o desvio de valores e o branqueamento de capitais pelo Banco Master em um quadro de suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”, escreveu o magistrado.
