O advogado Wellington Lima e Silva, 60 anos, tomou posse na tarde desta 5ª feira (15.jan.2026) como ministro da Justiça e Segurança Pública. Ele sucede o ministro Ricardo Lewandowski, que pediu demissão em 8 de janeiro. Em reunião fechada, participaram da posse diversas autoridades, como a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), o ministro de Comunicação, Sidônio Palmeira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, além do próprio Lewandowski.
“Tenho que agradecer ao presidente por ter atendido o meu pleito de fazer uma cerimonia simbólica. Toda a ação de governo deve ter uma linha de continuidade e nos devemos acrescentar iniciativas novas. Conversarei com dada um dos secretários, vou pedir um relatório a cada um deles e depois disso, analisar os resultados e fazer ajustes”, declarou o novo ministro ao tomar posse.
Horas antes da posse, Lima e Silva havia se reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades. Após a reunião, o novo ministro afirmou a jornalistas que o enfrentamento ao crime organizado será analisado pelo governo como uma “ação de Estado”, com maior integração entre Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário.
Depois da posse, o Lima e Silva voltou a citar a nova estratégia. “A necessidade da participação dos órgãos de Estado no crime organizado significa que o senhor [Lula] impulsiona essa iniciativa com a maior lucidez. A PF, o Banco Central, a Receita, todos os órgãos que integram esses sistema devem participar”, declarou.
Quem é Wellington Lima e Silva?
Wellington Lima e Silva era advogado-geral da Petrobras e já chefiou o Ministério da Justiça por 11 dias em 2016, de 3 a 14 de março, durante o governo Dilma Rousseff (PT). Ele assume no lugar de Ricardo Lewandowski, que pediu demissão em 8 de janeiro, afirmando deixar o cargo “por razões de caráter pessoal e familiar”.
Nascido em Salvador, Lima e Silva tem mestrado em direito penal e criminologia pela Universidade Candido Mendes do Rio de Janeiro e doutorado pela Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha (Espanha). Já atuou como professor em cursos de graduação e pós-graduação.
Em março de 2016, Lima e Silva deixou o Ministério da Justiça depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) decidir que era inconstitucional acumular a função no Executivo com o cargo de procurador no MP (Ministério Público) da Bahia. À época, ele optou por permanecer no MP.
De janeiro de 2023 a julho de 2024, Lima e Silva comandou a SAJ (Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos) da Casa Civil. O órgão não tem status de ministério, mas é um dos mais importantes do Palácio do Planalto.
Era responsável pelo DOU (Diário Oficial da União) e por fazer análises jurídicas de projetos. O secretário despachava diariamente com o presidente da República. Foi assim que se aproximou de Lula. A confiança do chefe do Executivo em Lima e Silva se consolidou com a ida do advogado para a cúpula da Petrobras, em julho de 2024.
Lima e Silva já havia sido cotado para assumir o Ministério da Justiça em 2023, quando Flávio Dino foi indicado ao STF. Na ocasião, o nome do ex-procurador ganhou tração entre aliados do governo, mas acabou não sendo escolhido. Lewandowski assumiu o ministério em janeiro de 2024.
Ele é o 3º titular da pasta no 3º mandato de Lula, além do interino Manoel Carlos de Almeida Neto. A mudança marca a 15ª troca de ministros desde o início da gestão em 2023.
