O advogado e ex-juiz Samer Agi criticou as falas do ator Wagner Moura após a vitória no Globo de Ouro, na categoria de melhor ator, pela atuação no filme “O Agente Secreto”. A manifestação foi publicada no Instagram, onde Agi tem 2,4 milhões de seguidores. Na postagem, ele desafiou o artista a falar sobre a fraude no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) se vencer o Oscar.
Na postagem, Agi começa reconhecendo o mérito artístico do ator. “Wagner Moura vence o Globo de Ouro. Merecidamente”, escreveu. Em seguida, afirma que o prêmio lhe deu palco, mas que, para ele, o palco “não deu sabedoria” ao ator, porque, segundo ele, Moura perdeu a chance de “unir o país”.
Para o ex-juiz, o ator, ao ganhar projeção internacional, deveria usar a visibilidade para ajudar a população. Em vez disso, diz Agi, decidiu atacar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alguém que, nas palavras dele, “já foi julgado” — ainda que por “juiz parcial” e por “juízo incompetente”.
Agi questiona o impacto concreto da fala do ator. “Em que a fala do ator ajudou o brasileiro?”, pergunta, antes de concluir que ela “só dividiu um povo já dividido”.
Na sequência, o advogado projeta uma possível vitória de Wagner Moura no Oscar e lança um desafio. “Tomara”, escreve, antes de sugerir um discurso alternativo, que, segundo ele, poderia “auxiliar muita gente aqui”.
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Agi propõe que, ao subir ao palco, Moura ofereça o prêmio aos aposentados e pensionistas e cite investigações envolvendo o INSS. Nesse trecho, faz referência direta a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tema que vem sendo explorado por setores da oposição no Congresso.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), vice-líder da Minoria no Congresso, anunciou, na 3ª feira (13.jan.2026), que protocolou um pedido no STF (Supremo Tribunal Federal) para impor medidas cautelares contra Lulinha.
“O fato ainda não foi julgado”, afirma Agi, ao defender que um discurso com esse teor poderia “jogar luz sobre o tema” e pressionar as investigações. Ele sugere que a CPMI deixe de “acabar em pizza”, com eventual responsabilização dos envolvidos, e afirma que “um discurso pode mudar tudo. Ou nada”.
O texto termina com um apelo direto ao ator. Para Agi, idosos “esperariam a fala com a estatueta”. “Nós também”, conclui.
Após a premiação, Wagner Moura falou a jornalistas e disse: “A ditadura ainda é uma cicatriz aberta na vida brasileira. Isso aconteceu há apenas 50 anos. Nós recentemente tivemos, de 2018 a 2022, um presidente de ‘extrema-direita’, fascista, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura. Então, a ditadura ainda está muito presente no cotidiano brasileiro”. Após o prêmio, o ator recebeu uma ligação de Lula para receber os parabéns.

