O ator Wagner Moura ironizou na 6ª feira (16.jan.2026), em entrevista ao programa norte-americano The Daily Show, o papel do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na produção do filme “O Agente Secreto”. O artista afirmou que o longa surgiu do que chamou de “perplexidade” compartilhada com o diretor Kleber Mendonça Filho, diante do governo anterior e que, por isso, o filme não teria sido feito sem o ex-presidente.
“O filme tem recebido um grande reconhecimento desde o Festival de Cannes. E em um dos prêmios que recebi, eu agradeci a ele [Bolsonaro]. Sem ele, não teríamos feito o filme. O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho diante do que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022. Esse homem, eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século 21”, disse.
Wagner também criticou a Lei da Anistia de 1979 que perdoou crimes políticos da ditadura. “Existem coisas que não podem ser esquecidas e nem perdoadas. O Brasil está, finalmente, superando um problema de memória ao mandar para a prisão pela 1ª vez pessoas que atentaram contra a democracia. O próprio Bolsonaro está na prisão. O Bolsonaro jamais teria existido politicamente se não fosse a anistia”, afirmou.
CRÍTICAS ANTIGAS
Wagner Moura critica o governo Bolsonaro desde o atraso no lançamento do seu filme “Marighella”. O plano era lançar o longa no Brasil em 2019, mas a Ancine (Agência Nacional do Cinema) não aprovou os recursos da distribuição, sob a alegação de que a produção “não conseguiu cumprir a tempo todos os trâmites”. Desde então, o ator acusa a agência de censura. Bolsonaro chegou a ameaçar a Ancine durante seu governo caso os projetos não passassem por um “filtro”.
