O deputado estadual Comandante Dan (Podemos) se manifestou na manhã desta terça-feira sobre um estudo conduzido por instituições científicas, entre elas a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que afirma que o asfaltamento da BR-319 promove um alto risco à saúde. O estudo alerta que a pavimentação do “trecho do meio” da rodovia pode romper o isolamento biológico da Amazônia profunda. Isso poderia liberar vírus e bactérias desconhecidos, resultando em novas zoonoses e riscos sanitários inéditos, inclusive com potencial para novas pandemias.
O parlamentar se declara favorável à ciência, mas considera fundamental considerar outros riscos que já estão em curso:
“Respeito a ciência, mas a hipótese não pode virar um simples veto impeditivo. O maior risco hoje é a ambulância que não passa e o socorro que não chega. Consideramos o aspecto humano? O veto é ao asfaltamento, ou a todas as formas de pavimentação? Em sendo um veto total, qual seria a alternativa? Ficaríamos eternamente isolados do resto do país por via terrestre? Há propostas de ferrovia? Não posso aceitar um simples não de uma nota técnica quando ficamos isolados em 2023 e 2024, com risco de desabastecimento e comunidades inteiras sem acesso”, afirmou.
O deputado Dan lembrou a recente “Pesquisa Rodovias 2025”, da Confederação de Transportes (CNT), que atesta que as condições de pavimentação das rodovias no Amazonas geram um aumento de custo operacional do transporte da ordem de 57,5%, com consequências negativas no preço dos produtos e na competitividade do Brasil. Na questão ambiental, a Pesquisa estima que em 2025 houve um consumo a mais de 16,7 milhões de litros de diesel, devido à má qualidade do pavimento da malha rodoviária no estado. O desperdício gerou um prejuízo R$ 95,78 milhões aos transportadores e uma emissão de 44,04 mil toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.
“Quem vai arcar com esse risco humano e ambiental? A BR-319 asfaltada com monitoramento sanitário e fiscalização, presença das diferentes esferas do poder público é dignidade e competitividade. É sobrevivência. Respeitamos os pesquisadores, mas não se pode condenar o asfaltamento por hipótese, sem cadeia de transmissão comprovada, e sem apontar uma alternativa. O que mata hoje é a ausência de acesso, de socorro e de logística. O caminho responsável é pavimentar com monitoramento sanitário, vigilância e condicionantes ambientais rígidas. A nova pavimentação da BR-319, com massa asfáltica, ou com outro material, precisa ser obra de Estado, não de improviso”, questionou o deputado.
O Brasil possui outras experiências de rodovias em áreas de rico patrimônio ambiental. A Rodovia Transpantaneira (MT-060) não é asfaltada, sendo classificada como uma estrada de terra com revestimento primário, muitas vezes descrita como um imenso aterro que corta a planície alagada do Pantanal.
A “pavimentação” da Transpantaneira é feita com aterro elevado, revestimento primário e manutenção contínua. A estrada foi construída sobre um aterro (um levantamento do solo) para permitir o tráfego, mesmo durante a época das cheias, quando o nível da água sobe bastante. A superfície é coberta com materiais locais, principalmente cascalho e terra, que formam uma camada de revestimento primário.
Devido às inundações sazonais e ao intenso tráfego de veículos de turismo, a rodovia exige manutenção constante com máquinas pesadas, como motoniveladoras e rolos compactadores, para recompor a base de terra e cascalho.
“Hoje os cientistas argumentam a liberação de patógenos totalmente desconhecidos. Ontem era a total destruição da floresta no entorno. O que está destruindo é muito mais a falta de acesso e, portanto, de fiscalização ambiental. Até quando viveremos essa novela de péssimo gosto? Quando precisamos, há cinco anos, de oxigênio para nossa gente não morrer sufocada na pandemia de Covid, não tivemos alternativa. Será que a morte e a dificuldade enfrentada pelos nossos cidadãos será sempre um preço a ser pago?” finalizou o deputado.
Dan Câmara, nome civil do deputado Comandante Dan, lidera na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) o Movimento “Soluciona BR-319”, que defende a trafegabilidade com segurança da rodovia, como única via de ligação terrestre com o restante do território brasileiro. Ele liderou os protestos em favor da reconstrução imediata das pontes sobre os rios Curuçá e Autaz-Mirim.
