Após a frente fria, uma massa de ar frio derruba as temperaturas no Centro-Sul entre 20 e 21/01. Em serras de SC e RS, há chance de geada pontual. Entenda os impactos e os cuidados no campo.

A semana começa com uma virada que parece “fora de época”. Depois da passagem de uma frente fria, uma nova massa de ar frio deve avançar pelo Centro-Sul a partir de segunda-feira (19) e derrubar as temperaturas em pleno janeiro, com madrugadas mais frias entre 20 e 21/01.
Para quem está na cidade, isso pode soar apenas como um “friozinho” agradável. No campo, um resfriamento rápido muda a fisiologia das plantas, o conforto térmico dos animais e a rotina de operações. E a palavra que chama atenção é geada: rara em janeiro, mas possível em microclimas serranos; no início do mês, São Joaquim (SC) registrou 1,8°C, um recorde para janeiro no município.
Por que pode fazer tanto frio em janeiro?
A receita é conhecida na meteorologia. A frente fria abre caminho e, na sequência, entra uma massa de ar frio. Se o céu limpa e o vento enfraquece, o solo perde calor rapidamente durante a noite. Em baixadas e fundos de vale, o ar frio se acumula e “derruba” a temperatura perto do chão, favorecendo geada mesmo quando o restante da região só sente ar ameno.

Nesta semana, as análises apontam maior chance de frio mais intenso nos Campos de Cima da Serra (RS) e no Planalto Sul Catarinense (SC). A geada, se ocorrer, tende a ser fraca e localizada: depende de céu aberto, ar mais seco e vento calmo nas horas finais da madrugada. Se a nebulosidade persistir ou o vento aumentar, o risco cai bastante.
O que o agro sente primeiro
Para as lavouras, o principal risco não é “congelar” uma área inteira, e sim a queima de tecidos mais sensíveis em pontos específicos. Hortaliças, mudas recém-transplantadas e pastagens tropicais sofrem mais com choque térmico, sobretudo em baixadas.
No dia a dia da propriedade, medidas simples ajudam quando o frio é curto e localizado:
- Monitorar previsão por município e, se possível, medir temperatura também em baixadas (não só na sede).
- Evitar irrigação e pulverização no fim da tarde em áreas frias, para não elevar a umidade durante a noite.
- Proteger mudas e hortaliças com cobertura leve (manta, túnel, lona elevada) e reduzir exposição ao vento.
- Ajustar o manejo do gado: abrigo seco à noite e suplementação se a pastagem “amarelar”.
- Rever a climatização de aviários e pocilgas, principalmente para lotes jovens.
Como transformar um frio raro em preparo
O país é grande demais para um alerta “igual para todo mundo”. Enquanto as serras podem amanhecer com risco de geada, muitas áreas terão apenas alívio do calor, o que pode favorecer o manejo animal e dar fôlego para o trabalho no campo. O desafio é tratar o frio como evento local, olhando relevo e microclimas: a mesma madrugada pode ser inofensiva no topo e crítica no fundo do vale.
A boa notícia é que existem ferramentas que tornam o episódio mais previsível do que parece. Boletins regionais e mapas de risco de geada ajudam a antecipar decisões simples e baratas, com foco em talhões mais vulneráveis. Se o frio se confirmar, o recado para o agro é direto: não basta saber que “vai esfriar”; é preciso saber onde o frio se concentra e quais culturas e instalações estão na linha de frente.
