A ZCAS mantém chuva persistente até sábado, 24/01, e complica o Sudeste. Solo encharcado atrasa colheita, piora estradas e encarece o hortifrúti. Entenda o efeito dominó da fazenda ao mercado. Veja o que muda nas próximas horas.

A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) voltou ao centro do noticiário nesta quinta-feira, 22 de janeiro. Quando esse “corredor de nuvens” se organiza, a chuva se repete por dias e o risco cresce onde o solo já está encharcado. A tendência é de instabilidade até o sábado (24) em partes do Sudeste.

O impacto é rápido: colheita atrasa, caminhão não carrega, estrada vira atoleiro e mercadoria chega tarde. No hortifrúti, atraso vira perda, e, na ponta, vira preço. Por isso a ZCAS vira pauta de abastecimento e custo do alimento.
O que é a ZCAS e por que ela segura a chuva por dias
A ZCAS é uma faixa organizada de nuvens que costuma se estender do sul da Amazônia até o Atlântico, concentrando umidade e sustentando chuva frequente por vários dias. O INMET descreve episódios com duração média de quatro a dez dias e destaca que algumas áreas podem somar 100 mm ou mais por evento, saturando o solo e elevando risco de cheias e deslizamentos.

Nesta semana, a configuração está desfavorável para quem depende de “janela seca”. O INMET aponta cenário bastante chuvoso para Minas Gerais e Espírito Santo devido à ZCAS, com reorganização da chuva intensa e retorno da instabilidade a áreas do Rio de Janeiro e do sul de MG na sexta-feira (23).
Da fazenda ao atacado: o que muda em 72 horas
O primeiro gargalo aparece dentro da porteira. Solo encharcado reduz a trafegabilidade de máquinas, aumenta o risco de atoleiros e empurra a colheita para depois, ou para janelas curtas. Além do atraso, cresce o custo: mais secagem, mais manuseio e maior chance de perda por qualidade.
A Meteored relatou volumes recentes entre 100 e pouco mais de 200 mm em 48 horas em pontos de MG, ES e RJ e indicou mais chuva até o fim da semana, com a ZCAS ativa até sábado (24).
Para transformar previsão em decisão, um checklist simples ajuda a enxergar o “efeito dominó”:
- Produtor: colha nas janelas curtas e antecipe secagem/armazenagem.
- Transportador: revise rotas e evite encostas sob chuva persistente.
- Consumidor: espere oscilação no hortifrúti e compre porções menores.
O segundo gargalo é a logística. Mesmo quando há produto, o escoamento falha: estradas vicinais cedem, acessos ficam comprometidos e centros de distribuição recebem mercadoria com atraso. Para perecíveis, atraso vira perda; para o restante, vira custo (tempo, combustível, remanejamento). É aí que o consumidor sente a ZCAS: oferta irregular e preços variando mais rápido.
Como reduzir perdas recorrentes
Em semanas de chuva persistente, o risco não se limita ao campo. O Cemaden indicou possibilidade ALTA de enxurradas, extravasamento de canais e alagamentos em áreas com drenagem deficiente em regiões intermediárias de MG (incluindo Belo Horizonte, Juiz de Fora e Ipatinga) e em Petrópolis (RJ), além de risco MODERADO em outras áreas de MG, RJ e ES.
A resposta mais eficiente é integrar informação e operação. No curto prazo, produtores e transportadores ganham ao monitorar avisos, ajustar janelas de colheita e reforçar triagem e conservação no pós-colheita.
No médio prazo, reduzir perdas passa por ações diretas: manutenção e drenagem de estradas vicinais, armazenagem e secagem para picos de umidade, e protocolos de contingência em entrepostos. Para o consumidor, planejar compras e evitar desperdício ajuda a atravessar a semana sem sustos. E isso vale tanto para o campo quanto para a cidade hoje.
Referência da notícia
INMET divulga previsão para semana de 19 a 26 de janeiro de 2026. 19 de janeiro, 2026. INMET.
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