O Brasil deverá crescer mais de 10% no acumulado do 3º mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo estimativas da Austin Rating, o crescimento acumulado em 4 anos será de 10,9%, o maior para um quadriênio desde 2007 a 2010, período do 2º mandato de Lula.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já publicou que o Brasil cresceu 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024. O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, calculou o crescimento acumulado do quadriênio considerando esses resultados e as projeções de alta de 2,1% em 2025 e de 1,7% em 2026 do PIB (Produto Interno Bruto).

Na prática, o crescimento médio anual do Brasil será de 2,6%, acima dos 1,4% registrados no governo de Jair Bolsonaro (PL).

O desempenho foi impulsionado sobretudo pelo consumo das famílias. Levantamento da Austin Rating mostra que as despesas cresceram 12,7% em relação ao governo anterior, a maior taxa desde o 1º mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

O dinamismo econômico também é explicado pelo impulso fiscal, com aumento da injeção de recursos públicos na economia e da demanda. O Poder360 já mostrou que o governo ampliou as transferências diretas de renda.
As ações do Estado de bem-estar social (o “welfare state”) deverão custar ao menos R$ 441 bilhões em 2025, considerando programas sociais, benefícios trabalhistas, medicamentos gratuitos e políticas habitacionais.
Estudo do Itaú estima que medidas fiscais e de crédito vão injetar R$ 179,7 bilhões na economia em 2026, elevando o crescimento em 0,7 ponto percentual. Entre as ações, estão:
- expansão do Crédito do Trabalhador;
- isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física;
- ampliação do Minha Casa, Minha Vida;
- programa Luz para Todos;
- Gás do Povo;
- liberação de compulsório da Poupança;
- Saque-Aniversário;
- crédito para reformas.
POLÍTICA MONETÁRIA
O país deverá registrar a menor inflação para um mandato desde a criação do real. Estimativa da Austin Rating mostra IPCA acumulado de cerca de 19,0% no quadriênio, abaixo do recorde anterior de 22,2% no 2º mandato de Lula.
A inflação acumulada em 12 meses até novembro de 2025 foi de 4,26% e permaneceu acima do teto da meta em 22 dos 36 meses de janeiro de 2023 a novembro de 2025. A meta passou a ser de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
A meta de inflação ficou mais exigente neste mandato de Lula. O objetivo caiu para 3%, com tolerância de 1,5% a 4,5%. Além disso, a autonomia do Banco Central na decisão da taxa básica, a Selic, possibilitou uma maior credibilidade da política monetária para conter as expectativas futuras.

O crescimento dos gastos públicos e a desconfiança no marco fiscal para reverter a trajetória de alta da dívida pública impactou as expectativas futuras. O mercado e as empresas avaliam se o governo conseguirá arcar com suas dívidas ou se precisará se refinanciar com mais juros ou impressão de dinheiro.
Se o governo gasta demais, o Banco Central pode atuar para manter os juros altos por mais tempo para conter a inflação provocada pelos gastos. Os agentes financeiros olham para o futuro e estimam que, com mais despesas e com mais juros, a dívida subirá e o risco de calote aumenta.
A taxa básica, a Selic, subiu para 15% ao ano em junho –patamar que permanece até agora. Na próxima 4ª feira (28.jan.2026), o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá manter o juro base no mesmo nível. O Brasil tem o 2º maior juro real –descontada a inflação– do mundo.

A Austin Rating calcula que os juros acumulados no quadriênio somarão 60,8%, o maior nível desde 2003 a 2006. Em contraste, no governo Bolsonaro a média foi de 32,5%, período marcado pela redução da Selic para 2% durante a pandemia.

O aperto monetário teve efeitos mais fortes em 2025, com desaceleração do PIB, movimento que deve continuar em 2026. O FMI projeta crescimento de 1,6% no fim de 2026.

MERCADO DE TRABALHO
Haddad deixará o cargo com taxa de desemprego a 5,2% no trimestre encerrado em novembro. A população ocupada foi de 103,0 milhões –um recorde na série histórica, iniciada em 2012. O rendimento real habitual de todos os trabalhos somou R$ 3.574, valor máximo já registrado. Apesar dos juros altos, a economia operara com uma resiliência surpreendente.

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