O Nordeste se manteve em 2025 como a região mais perigosa do Brasil. Concentra 53 das 100 cidades com mais mortes violentas do país. Esse número se manteve o mesmo desde 2022, quando houve a última eleição para governador.
A região é a 2ª mais populosa. Teve 26,9 mortes a cada 100 mil habitantes no ano passado. Essa taxa é a mais alta, seguida da do Norte (20,4), do Centro-Oeste (12,8), do Sudeste (10,8) e do Sul (9,8).
Os dados acima foram tratados pelo Poder360 com base em informações oficiais dos Estados enviadas ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Considera como morte violenta homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.
Os números de mortes por intervenções policiais não entraram na conta por não estarem estratificados por cidade na base do governo. Essas informações, quando forem atualizadas, não mudarão a leitura geral dos quadros apresentados nesta reportagem.

Como o ano ainda está começando, é possível que os números fechados tenham leves variações caso correções mínimas sejam feitas pelos Estados nos próximos dias.
São Paulo, por exemplo, não enviou as informações referentes a dezembro. Isso não interferirá no ranking geral porque historicamente o Estado sempre fica mais bem posicionado por causa do tamanho da sua população (46,1 milhões de pessoas).
AS CIDADES MAIS VIOLENTAS
Três cidades do Ceará lideram entre as mais violentas do país: Maranguape, Maracanaú e Caucaia. O Estado passa por problemas na segurança por causa de conflitos entre facções.
Na 4ª e 5ª posição de municípios mais perigosos, estão Cabo de Santo Agostinho (PE) e Eunápolis (BA).
Os dados acima também não consideram as mortes por intervenção policial porque esse dado não está disponível com estratificação por cidade até o momento.
A tabela de cidades mais violentas leva em conta só os municípios com mais de 100 mil habitantes para que não haja dados que possam distorcer a percepção da informação.

O Poder360 preparou um gráfico interativo em que é possível saber o número de mortes totais em todas as cidades do Brasil. O dado de vítimas por 100 mil habitantes só foi calculado para os municípios com mais de 100 mil habitantes para evitar distorções. Busque abaixo (clique aqui para abrir em outra aba):
As mortes elencadas acima são as registradas oficialmente. Há muitos casos de subnotificações.
CAPITAIS: 5 PIORAM
O Brasil em geral vem registrando cada vez menos mortes violentas (leia mais abaixo). Mas não são todas as cidades que acompanham essa tendência.
Considerando as capitais dos Estados e Brasília, 5 ficaram mais violentas desde 2022: Cuiabá (MT), Rio de Janeiro (RJ), João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Luís (MA).
A capital que teve a maior redução nas mortes foi Manaus (AM), com queda de 62,2% no período. Vitória (ES) e Aracaju (SE) vêm na sequência com as outras duas maiores baixas, de 52,6% e de 48,5%.

BRASIL MELHORA
Os dados de mortes violentas no Brasil como um todo vêm caindo desde 2021. Em 2025, foram 34.086 –desconsiderando também as decorrentes de intervenções policiais.
O recorde de mortes registrado na série histórica foi em 2017, com 60.308. Em comparação com aquele ano, houve queda de 43,5% nos assassinatos.

A queda das mortes é apontada por especialistas em razão de uma trégua e maior modernização das facções. Essa situação, no entanto, não é sentida em todos os Estados da mesma forma.
MORTES POR ESTADO
O Estado mais violento do Brasil é o Ceará, considerando homicídios, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Pernambuco e Alagoas aparecem na sequência desse ranking.
Das 10 unidades da Federação mais perigosas do Brasil, 8 são comandadas por governadores mais à esquerda. Uma está mais ao centro do espectro político e outra mais à direita.

A classificação ideológica dos governadores levou em conta apoios dados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a Jair Bolsonaro (PL) em 2022 e posições históricas de cada político.
O Ceará, que aparece como a unidade da Federação mais perigosa, disse ao Poder360 que –apesar do número ainda alto de mortes– houve uma redução na comparação do 2024. Destacou ações que resultaram no aumento de prisões e redução de crimes específicos, como o latrocínio. Leia a íntegra da nota (PDF – 86 kB).
METODOLOGIA
O Poder360 optou por não contabilizar nos dados apresentados nesta reportagem as informações de mortes por intervenções policiais por causa da falta de estratificação desse dado. Alguns relatórios, como o Anuário da Segurança Pública, fazem uma contagem mais completa dessas informações, mas demoraram mais alguns meses para liberar os números completos.
A forma de apresentação utilizada por este jornal digital também vem sendo utilizada por outros veículos de mídia para mostrar de maneira mais imediata o cenário da segurança pública no país.
Todas as informações dos quadros são de dados compilados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, no Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas).
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