A cientista social e professora da Universidad Central de Venezuela Margarita López Maya disse, nesta 2ª feira (26.jan.2026), que a Venezuela “era um foco de perigo para os Estados Unidos muito maior do que um foco de negócio com o petróleo”. Segundo a especialista, o país latino era um local de “desobediência e de inimigos” na visão dos norte-americanos.
Fala se deu durante webinar realizado pela Fundação FHC (Fernando Henrique Cardoso) para analisar os desdobramentos políticos na Venezuela depois da captura de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) em 3 de janeiro.
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Na conferência, Margarita também declarou que a ação militar está relacionada a um retorno da Doutrina Monroe. Em dezembro, a Casa Branca divulgou a nova estratégia (PDF, em inglês – 500 kB) de segurança nacional norte-americana, reafirmando a doutrina e estabelecendo o “Corolário Trump”.
Segundo a professora, “sempre tem a ver com o petróleo” mas, nesse caso, é mais do que isso: uma garantia de que Irã, Rússia e China não entrem no continente americano. “A gente percebe que tinha muita coisa em jogo”, disse.
Depois da captura de Maduro, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, assumiu o governo. Sobre a continuidade do autoritarismo no país, Margarita afirmou: “O presidente Trump não tem esse olhar tão democrático de colocar outro grupo no poder. Para Marco Rubio [secretário de Estado dos Estados Unidos] esse sim é um projeto de vida, levar a democracia para Cuba começando pela Venezuela”.
Rubio é filho de imigrantes cubanos e é abertamente crítico ao governo do país.
A cientista social disse que não há a possibilidade de uma transição democrática sem a presença de María Corina Machado, líder da oposição da Venezuela. “Junto a Edmundo González, são eles que têm o capital político para guiar a oposição nessa rota”.
González é um diplomata e analista político que concorreu às eleições venezuelanas em 2024 no lugar de María Corina, impedida pelo governo de participar da corrida presidencial. Para a oposição e diversos organismos internacionais, ele foi o verdadeiro vencedor do pleito. Em janeiro deste ano, dias após a captura de Maduro, ele pediu o reconhecimento formal da suposta vitória.
Segundo o jornal The Washington Post, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano) teria deixado de apoiar María Corina por ela não ter cedido o Prêmio Nobel da Paz a ele. A venezuelana foi laureada em outubro de 2025. Depois da publicação da reportagem, ela entregou a medalha ao norte-americano.
Também participaram da conferência o cientista político e diretor-geral da Fundação FHC, Sérgio Fausto, e o sócio-fundador da Dinámica Américas e funcionário de carreira do Departamento de Estado dos EUA por 30 anos, Ricardo Zúñiga.
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