A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia afirmou nesta 3ª feira (27.jan.2026) que o uso da inteligência artificial será um dos principais desafios das eleições de 2026. A declaração foi feita na abertura do “Seminário da Justiça Eleitoral sobre Segurança, Comunicação e Desinformação”, promovido pela Corte.
Segundo a ministra, o avanço tecnológico ampliou os riscos de manipulação da vontade do eleitor por meio da divulgação de conteúdos falsos que simulam fatos reais. Para ela, a desinformação pode comprometer a liberdade de escolha do eleitor. “A tecnologia não é boa ou ruim em si, mas o mau uso pode contaminar eleições”, disse.
Cármen Lúcia afirmou que a Justiça Eleitoral atua de forma permanente, inclusive fora do período eleitoral, para garantir que o processo de votação se dê com segurança e confiança. Segundo ela, o objetivo é assegurar que o eleitor vote de forma livre, sem pressões ou restrições indevidas.
“Nosso dever funcional é garantir a integridade do processo eleitoral e a tranquilidade da sociedade. Havendo qualquer problema, haverá resposta do poder público por meio da Justiça Eleitoral, que administra e proclama os resultados”, declarou.

Ao tratar da inteligência artificial, a ministra defendeu a identificação de conteúdos manipulados e a definição de critérios transparentes para eventual retirada desse material, sem violar a liberdade de expressão, que classificou como pilar da democracia.
A presidente do TSE lembrou que o tema será debatido em audiências públicas da Corte no início de fevereiro. O objetivo é reunir contribuições para a regulamentação do uso da inteligência artificial nas eleições e estabelecer parâmetros para prevenir abusos.
PLANO DE SEGURANÇA PARA ELEIÇÕES 2026
O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, disse que a corporação estruturou um plano de segurança para as eleições de 2026 baseado em 3 eixos.

O 1º é a proteção de candidatos à Presidência da República. Segundo Rodrigues, todos os candidatos que solicitarem escolta terão segurança garantida pela PF durante a campanha.
O 2º eixo envolve a investigação de crimes eleitorais, com foco na atuação de facções e organizações criminosas. Rodrigues disse que, nas eleições de 2024, foram apreendidos cerca de R$ 30 milhões em dinheiro em espécie, valor considerado recorde. Ele também citou a realização de 91 operações relacionadas a crimes eleitorais em 2025, mesmo fora do ano eleitoral, além de 137 ações no último pleito.
O 3º eixo trata do monitoramento de ameaças e da segurança do processo eleitoral, incluindo o enfrentamento à desinformação. Segundo o diretor-geral, crime organizado, segurança dos candidatos e circulação de conteúdos falsos estão interligados e não podem ser analisados de forma isolada.
Rodrigues também destacou o uso de tecnologia e o cruzamento de bases de dados, respeitados os limites legais, como ferramenta para fortalecer a atuação da PF. De acordo com ele, análises que envolvem dados eleitorais, doações de campanha e informações de inteligência já permitiram avanços em Estados como Rio de Janeiro e Ceará.
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