A deputada federal Ilhan Omar (Partido Democrata) foi alvo de um ataque com uma substância desconhecida durante uma reunião pública que conduzia na 3ª feira (27.jan.2026), no norte de Minneapolis, segundo a polícia local. Um homem se aproximou do palco e usou uma seringa para borrifar um líquido na direção da congressista. Ele foi detido imediatamente no local.
Omar não se feriu e decidiu manter o evento. Peritos foram acionados para analisar a substância, descrita por pessoas presentes como tendo um odor azedo, semelhante ao de produto químico, segundo a BBC. Vídeos gravados no local mostram integrantes da equipe e agentes de segurança retirando o suspeito da sala enquanto gritavam “abra espaço”.
Em publicação nas redes sociais, a deputada disse que não se deixaria intimidar. “Estou bem. Sou uma sobrevivente, então esse pequeno agitador não vai me intimidar nem me afastar do meu trabalho. Eu não deixo valentões vencerem”, escreveu. Em nota, seu gabinete informou que a polícia de Minneapolis agiu rapidamente e que Omar seguiu com a reunião “porque não deixa valentões vencerem”.

Depois do episódio, Omar se dirigiu novamente ao público e pediu que o encontro continuasse. “Vamos continuar… somos fortes em Minnesota”, disse. Em outro momento, insistiu: “Vamos seguir conversando. Me deem 10 minutos. Por favor, não deixem que eles tomem o espetáculo”. Autoridades sugeriram o encerramento da reunião, mas a deputada recusou.
A reunião reunia cerca de 100 pessoas e tratava do aumento da presença de agentes federais de imigração na região, após duas mortes recentes de cidadãos norte-americanos em abordagens conduzidas por agentes migratórios. Em janeiro, Renee Good foi morta a tiros por um agente de imigração. Poucas semanas depois, Alex Pretti morreu após ser parado por agentes de fronteira, episódios que reacenderam protestos locais.
Rep. Ilhan Omar (D-MN) assaulted during town hall meeting: “Here’s the reality that people like this ugly man don’t understand; we are Minnesota strong and we will stay resilient in the face of whatever they might throw at us.” pic.twitter.com/Ud5l3yP4lQ
— CSPAN (@cspan) January 28, 2026
Durante o encontro, Omar defendeu a extinção do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) e afirmou que a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, deveria renunciar ou enfrentar um processo de impeachment. É neste momento que um homem se levanta e joga a substância desconhecida a partir da seringa na congressista.
Ao ser retirado da sala, o suspeito afirmou que Omar estaria “colocando as pessoas umas contra as outras”, sem deixar claro a quem se referia. A identidade dele não foi divulgada.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, condenou o episódio. “Violência e intimidação não têm lugar em Minneapolis. Podemos discordar sem colocar pessoas em risco. Esse tipo de comportamento não será tolerado em nossa cidade”, declarou.
Eleita em 2018, Omar tornou-se a 1ª somali-americana, a 1ª mulher nascida na África e uma das duas primeiras muçulmanas a ocupar uma cadeira no Congresso dos Estados Unidos. Minnesota abriga a maior população de imigrantes somalis do país.
Aliados da deputada apontam que o endurecimento das ações de imigração no Estado ocorre em um contexto de tensão política com o presidente Donald Trump (Partido Republicano), que já a criticou publicamente em diversas ocasiões. Em janeiro, Trump escreveu que Omar “deveria estar na prisão” ou “ser enviada de volta à Somália”. Após a 2ª morte registrada neste mês, o governo disse que iria recuar se a polícia local cooperasse.
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