Pesquisadores chineses acreditam já terem em mãos um medicamento capaz de aprimorar o tratamento do vírus Nipah (NiV) e reduzir a taxa de mortalidade, que hoje chega a 75% dos infectados. Na 2ª feira (26.jan.2026), o Instituto de Virologia de Wuhan divulgou um comunicado sobre um artigo científico publicado em novembro do ano passado que aponta para os resultados promissores do uso do VV116 –um medicamento antiviral oral originalmente desenvolvido para tratar a covid-19– contra o Nipah.
O estudo foi realizado em hamsters e o uso da droga aumentou a taxa de sobrevivência de animais para 66,7% e reduziu significativamente a carga viral nos órgãos alvo da infecção: pulmões, baço e cérebro.
“Pode ser usado não apenas como medicamento preventivo para grupos de alto risco, como profissionais de saúde e laboratórios, mas também como uma opção de fármaco prontamente disponível para lidar com surtos atuais e futuros do vírus Nipah”, informou o instituto.
O artigo foi concluído em julho do ano passado, revisado e publicado em novembro na revista Emerging Microbes & Infections. Eis a íntegra do documento (PDF – 651 kB, em inglês).
SURTO EM 2026
O vírus Nipah se tornou manchete no mundo inteiro depois de autoridade médicas da Índia confirmaram um novo surto da doença no início de janeiro, no Estado de Bengala Ocidental. Até o momento, 5 casos foram registrados –todos entre médicos e enfermeiros de um mesmo hospital. Quase 100 pessoas estão em quarentena em Calcutá para monitoramento.
O surto fez aeroportos na Ásia implementarem ações preventivas semelhantes às adotadas durante a pandemia de covid-19.
O Nipah é considerado uma das doenças prioritárias para pesquisa pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por causa de seu potencial epidêmico e da alta taxa de mortalidade, que varia de 40% a 75% dos infectados.
O reservatório natural do vírus são os morcegos frugívoros (que comem frutas) do gênero Pteropus. A infecção humana se dá por ingestão de frutas ou produtos (como seiva de palmeira) contaminados com saliva ou urina de morcegos infectados ou contato com porcos ou outros animais doentes que tiveram contato com os morcegos.
Também é possível contrair o vírus por contato próximo com secreções e excreções de pacientes infectados. O contágio é comum em ambientes hospitalares.
Identificado pela 1ª vez em 1999 na Malásia, o vírus tem provocado surtos recorrentes na Ásia. A OMS alerta que os morcegos hospedeiros são encontrados em toda a região do Pacífico Sul e partes da África, o que exige vigilância epidemiológica constante. Não existe vacina para o vírus.
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