O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer votar o acordo UE-Mercosul antes do Carnaval, que vai de 14 a 17 de fevereiro. O tratado foi assinado pelos 2 blocos em 17 de janeiro, mas o governo ainda precisa enviar o texto ao Legislativo, que retoma os trabalhos em 2 de fevereiro.
O tratado ainda precisará passar pelos congressos nacionais da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. Essa etapa é necessária porque o acordo estabelece obrigações legais dentro de cada país do bloco, incluindo redução de tarifas, mudanças nas regras comerciais e diversos compromissos regulatórios.
Apesar da celeridade de Motta, os europeus congelaram o acordo.
O Parlamento Europeu aprovou em 21 de janeiro uma resolução que pode atrasar em até 2 anos a implementação do acordo. Os parlamentares decidiram enviar o tratado para o Tribunal de Justiça do Bloco. Esse processo de revisão jurídica é longo e impede a vigência imediata do texto.
UE E MERCOSUL
A União Europeia é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens. O acordo criaria um mercado comum com mais de 700 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22 trilhões. O Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia em 2025, uma alta de 3,2% em relação a 2024. As importações somaram US$ 50,3 bilhões no ano passado, com crescimento de 6,4% em 1 ano.
A corrente comercial –soma das exportações e importações– superou US$ 100 bilhões pela 1ª vez na série histórica, iniciada em 1997. O volume subiu 4,8% em relação ao mesmo período de 2024. Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), concluído no início de 2024, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem potencial para aumentar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040, o equivalente a US$ 9,3 bilhões –cerca de R$ 50 bilhões na cotação atual. Leia a íntegra (PDF – 3 MB).
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