A Agência Flap, especializada em ações de marketing, afirmou nesta 5ª feira (29.jan.2026), ao Poder360, que sondou cerca de 15 influenciadores da área de finanças sobre a possibilidade de defender publicamente a atuação do BRB (Banco de Brasília) no caso do Banco Master. A proposta era de um almoço nos dias 10 ou 24 de fevereiro, a convite do presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza. A participação seria remunerada. Em troca, os influenciadores deveriam publicar relatos sobre o encontro.
Questionada por este jornal digital, a agência declarou que a abordagem seria uma cotação ainda em fase inicial de planejamento, “sem qualquer submissão ou aprovação prévia” do BRB. “O contato mencionado teve como único objetivo uma cotação preliminar, prática usual no planejamento interno de eventos por agências”, afirmou a assessoria da Flap, que presta serviços ao Banco de Brasília desde 2023.
O caso veio a público quando alguns dos influenciadores relataram nas redes sociais a procura em nome do banco. Manifestaram-se sobre o caso: Nathalia Arcuri, fundadora do canal Me Poupe!, Renata Barreto, sócia do escritório Faz Capital, Renato Breia, cofundador da Nord Investimentos, e Murilo Duarte, conhecido como “Favelado Investidor”. Todos afirmaram ter recusado o convite. Leia mais nesta reportagem.
A Flap disse que não recebeu orçamentos dos influenciadores contatados. De acordo com a agência, foram solicitados orçamentos a influenciadores considerados adequados ao perfil do eventual evento. O objetivo, segundo a Flap, era garantir a presença dos convidados para que pudessem conhecer a nova modelagem institucional do banco e formar suas próprias conclusões.
A agência afirmou que “não houve alinhamento prévio com o BRB, nem intenção de compra de opinião”, e disse que a iniciativa não teve qualquer relação com o caso envolvendo o Banco Master ou o BC (Banco Central). Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, que terminou liquidado pelo BC, em 18 de novembro, por suspeita de fraudes.
Leia a íntegra da nota enviada pela Agência Flap:
“O contato mencionado teve como único objetivo uma cotação preliminar, prática usual no planejamento interno de eventos por agências. A FLAP, contratada pelo BRB como fornecedora de eventos, realizava um estudo de viabilidade de um projeto que ainda seria apresentado ao Banco, sem qualquer submissão ou aprovação prévia.
“Nesse contexto, foram solicitados orçamentos a influenciadores considerados adequados ao perfil do eventual evento, uma vez que a presença costuma ser remunerada. O objetivo era apenas garantir a participação para que pudessem conhecer a nova modelagem institucional do Banco e formar suas próprias conclusões.
“Ressaltamos que não houve alinhamento prévio com o BRB, nem intenção de compra de opinião, tampouco qualquer relação com o caso Master/BC”.
O Poder360 também procurou o BRB para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do convite aos influenciadores. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
BANCO MASTER
A PF apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro orquestrado pelos sócios do Master e fundos de investimento. Desde dezembro, o caso está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), por haver indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro.
A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank representou o maior rombo bancário do país. Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento, cujo banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.

Esta reportagem foi escrita pela estagiária de jornalismo Ingrid Mognon, sob a supervisão do editor-assistente Lucas Fantinatti.
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