O presidente da China, Xi Jinping (Partido Comunista da China), disse nesta 5ª feira (29.jan.2026) que a China jamais representará uma ameaça aos outros países. Em encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer (Partido Trabalhista, esquerda), o líder chinês declarou que o país está comprometido com a paz e que o crescimento econômico não provocará intervenções militares a demais nações.
Durante a reunião entre os líderes em Pequim, Xi Jinping convocou o Reino Unido a advogar junto à China pelo multilateralismo global. Repetiu uma fala que autoridades chinesas dizem desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), começou a aplicar tarifas comerciais contra parceiros: a de que se o mundo seguir essa prática, estará retornando a uma “lei da selva”.
No encontro com Xi, Starmer declarou que o Reino Unido está disposto a construir um relacionamento “mais sofisticado” com os chineses. Os líderes vão assinar uma série de acordos comerciais entre os países nesta semana. O premiê ficará na China até sábado (31.jan).
A declaração de Xi tem como objetivo afastar uma visão de que China e EUA, como as duas potências globais, estariam dividindo o mundo em zonas de influência, onde as disputariam por ações militares. Os chineses não colocam intervenções armadas em seu leque de opções ao tratar com outros países. Essa é a ideia que o líder chinês quer transmitir com a declaração.
Essa atitude contrasta diretamente com a dos EUA, que historicamente se utilizam de sua força militar para intervir em mercados de seu interesse. Exemplos recentes são a operação na Venezuela que prendeu Nicolás Maduro, a intensificação do bloqueio a Cuba e o despacho de um porta-aviões ao Oriente Médio para pressionar o Irã.
Ao falar que não importa o quanto a China cresça economicamente ela continuará não sendo uma ameaça, Xi tenta colocar panos quentes sobre as disputas entre a China e outros países no campo econômico. A capacidade produtiva chinesa é vista como uma ameaça para inúmeros setores industriais, mas Pequim diz estar sempre disposta a negociar.
Em janeiro, China e UE (União Europeia) chegaram a um acordo para reduzir as barreiras comerciais a montadoras de automóveis chinesas no continente. As empresas europeias reclamam que os veículos chineses chegam a preços muito abaixo do mercado, o que eventualmente quebraria as companhias locais.
Ao celebrar esse acordo, o governo da China declarou que o tratado simboliza o “espírito de diálogo” e mostra que divergências comerciais podem ser resolvidas por meio de consultas e regras da OMC (Organização Mundial do Comércio).
“Isso não só contribui para o desenvolvimento saudável das relações econômicas e comerciais entre a China e a UE, como também para a manutenção de uma ordem comercial internacional baseada em regras”, declarou o governo chinês.
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