O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que a fiscalização do Banco Central recomendou a venda da instituição financeira ao BRB (Banco de Brasília). “Esse negócio foi recomendado por diversas auditorias, pela própria fiscalização do Banco Central, que naquele momento, até antes da gente dar entrada, indicava como sendo um bom negócio para o sistema financeiro”, disse. Ele não especificou quem do BC recomendou a compra, nem quando isso teria ocorrido.
A declaração foi dada em 30 de dezembro de 2025, durante seu depoimento à delegada da PF (Polícia Federal) Janaína Pereira Lima Palazzo. O interrogatório ocorreu na sala de audiências no STF (Supremo Tribunal Federal), com a presença de Carlos Vieira Von Adamek, juiz auxiliar do ministro Dias Toffoli.
O Poder360 teve acesso a trechos do depoimento em vídeo. Assista (1min14):
Leia a interação:
Delegada Janaina Palazzo: Se o senhor fosse presidente do BRB, tentaria comprar um banco que já lhe havia vendido mais de uma vez carteiras de crédito falsas?
Vorcaro: “Primeiro, novamente o banco não vendeu carteiras de crédito falsas para o BRB. E sim, se eu fosse o BRB, compraria. E foi uma pena o negócio ter sido negado. Uma pena para o mercado brasileiro, não só para o BRB. O BRB é um banco regional como poucos hoje.”
“É um banco que teria toda possibilidade de crescer e ter uma abrangência nacional e competir com grandes bancos brasileiros, que pela transação que seria feita, seria possível ele ter mais lucro, mais resultado, crescer. E acabou não acontecendo. Então, não faria sentido sem esse negócio. Aliás, esse negócio foi recomendado por diversas auditorias, pela própria fiscalização do Banco Central, que naquele momento, até antes da gente dar entrada, indicava como sendo um bom negócio para o sistema financeiro.”
ENTENDA
O BC rejeitou a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master pelo BRB em 3 de setembro de 2025. O banco público havia protocolado o pedido de aquisição em 28 de março do mesmo ano.
O BRB pediu acesso à íntegra da decisão para avaliar os fundamentos da negativa e as alternativas cabíveis. A instituição afirmou que a transação representa uma “oportunidade estratégica com potencial de geração de valor” para o banco, clientes e o Sistema Financeiro Nacional. Leia a íntegra (PDF – 145 kB) do fato relevante.
A operação já havia recebido aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em junho. A CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) autorizou a operação em agosto do ano passado.
Ao falar sobre “carteiras de crédito falsas”, a delegada Palazzo se refere a carteiras de crédito sem lastro. Ou seja, sem pagamento ou crédito real. O Poder360 revelou em reportagem de 23 de dezembro que o Banco Central desconhecia a indústria de créditos que podem ser falsos e que podem ter ajudado a maquiar o balanço do Master.
BANCO MASTER
A PF apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e os suspeitos de bancar a operação são os sócios do Master e fundos de investimento. Desde dezembro, o caso está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, por haver indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro.
A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank representou o maior rombo bancário do país. Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento, cujo banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.
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