O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta 5ª feira (29.jan.2026) em entrevista a jornalistas que o governo federal vai cumprir a meta fiscal em 2026 e manter o processo de reconstrução das contas públicas. A fala foi realizada ao comentar o resultado fiscal do último ano e as projeções para o próximo ciclo orçamentário.
Segundo Haddad, o governo herdou um deficit equivalente a 1,6% do PIB (Produto Interno Bruto). De acordo com ele, ao considerar a peça orçamentária enviada, o reajuste do Bolsa Família e o não pagamento de precatórios, o rombo deixado pela gestão anterior chegou a esse patamar. “Nós herdamos um deficit de 1,6% do PIB”, disse.
Ainda assim, o ministro afirmou que o resultado fiscal do último ano ficou em 0,48% do PIB. “Foi uma redução de 70% do deficit público”, afirmou. Haddad também questionou o número divulgado oficialmente. Segundo ele, o deficit de R$ 61 bilhões inclui valores que não deveriam entrar na conta. “Tem um deficit de R$ 61 bilhões, mas R$ 48 bilhões não entraram nessa conta. Então o deficit seria de R$ 13 bilhões”, afirmou.
De acordo com o ministro, a melhora no resultado fiscal se deu por 2 fatores. O 1º foi a contenção de despesas. O 2º foi o corte de gastos tributários, subvenções e subsídios.
Segundo Haddad, esses mecanismos funcionavam como benefícios fiscais concentrados em grandes empresas. “Eram, na verdade, benefícios fiscais que não se justificavam mais. Acabamos com muita coisa disso e conseguimos esse resultado”, disse.
O chefe da equipe econômica afirmou que o compromisso com o ajuste fiscal será mantido. Segundo ele, o governo seguirá trabalhando para reconstruir as contas públicas, que, em sua avaliação, deixaram de ser cuidadas a partir de 2015. “O nosso objetivo é continuar reconstruindo as contas públicas e alcançar um resultado primário compatível com as necessidades do Brasil”, afirmou.
Nesse contexto, o ministro disse que o ajuste fiscal é fundamental para sustentar o início do ciclo de corte da taxa básica de juros. Ele destacou a sinalização recente do Copom (Comitê de Política Monetária). “Se nós continuarmos perseguindo esses objetivos, esse ciclo de corte de juros pode ser longo e muito benéfico”, disse.
O ministro também disse haver expectativa de desaceleração da inflação a partir de março. Segundo ele, a inflação acumulada em 4 anos será a menor da história do país.
Por fim, voltou a rebater o ceticismo do mercado em relação ao cumprimento da meta fiscal. Segundo ele, a desconfiança se repete todos os anos. “Todo ano o mercado começa dizendo que não vai cumprir a meta, que vai mudar a meta. Aí, quando cumpre, não comemora”, disse.
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