O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), defendeu que o STF (Supremo Tribunal Federal) abra um processo de “autossaneamento” diante das revelações sobre relações entre ministros da Corte e pessoas envolvidas no caso do Banco Master. A declaração dada durante entrevista concedida ao portal “Metrópoles” nesta 5ª feira (29.jan.2026).
“Quando você está falando dessas instituições, que têm o dever de fiscalizar, de punir, tem que haver um procedimento interno de dar clareza ao que está acontecendo para a sua própria sustentabilidade e legitimidade. É assim que as instituições no mundo procedem. Quando há alguma ameaça de manchar a reputação de alguma instituição, ela tem que ter mecanismos internos de saneamento, seja quem for”, afirmou.
Haddad ainda citou como exemplo positivo a iniciativa do Banco Central, que abriu um procedimento interno para verificar possíveis irregularidades na atuação da autarquia no caso.
“Quando isso acontece em uma instituição, qualquer que seja, vou fazer a referência que está sendo dada pelo próprio Banco Central. O BC [Banco Central] anunciou a abertura de um procedimento interno para verificar se houve alguma falha de procedimento em relação ao seu próprio corpo de servidores. É assim que uma instituição deve agir”, declarou.
O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. A medida resultou no ressarcimento de credores pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) no valor de R$ 40,6 bilhões. O ministro ressaltou que o processo precisa com cuidado dentro dos trâmites corretos na Justiça.
CONVERSA DE LULA E TOFFOLI
O ministro também comentou o que foi conversado em um almoço entre ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Dias Toffoli, do STF, relator do caso do Banco Master.
“O presidente deu um recado conceitual de que nós temos a oportunidade de fazer um trabalho bem-feito, de entregar para o país, um país melhor. Deu vários exemplos desse trabalho que a polícia (Federal), o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e o Ministério Público estão fazendo conjuntamente”, disse Haddad.
Segundo o ministro, o BC deu início a uma apuração interna sobre possíveis falhas na gestão do processo que culminou na liquidação do Banco Master.
“Nós não podemos temer o autossaneamento de uma instituição, em nenhuma hipótese. Eu acredito que a instituição está nas mãos de uma pessoa correta, que é o [Edson] Fachin”, acrescentou Haddad, demonstrando confiança no presidente do STF.
RELAÇÃO COM VORCARO
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, enganou investidores. Também afirmou que não conhece pessoalmente o empresário
“Tem muita gente envolvida de boa-fé. Imaginava que ali tratava-se de um grande empresário, um banqueiro emergente. O cara levou muita gente no bico. Quem agiu de má-fé tem de responder”, disse.
Powered by WPeMatico
