O Palácio do Planalto passou a tratar o antissemitismo como um tema sensível para a disputa eleitoral de 2026 e incorporou o assunto à estratégia política do governo depois das críticas de Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no exterior.
O senador e pré-candidato ao Planalto disse em 27 de janeiro, data que marca o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que Lula é “antissemita”. No mesmo dia, o petista compartilhou em seu perfil no X uma mensagem sobre o Holocausto, chamada por ele de “grande tragédia do século 20”.
Segundo apurou o Poder360, o núcleo político do governo avalia que as acusações de antissemitismo passaram a ser usadas como instrumento eleitoral pela família Bolsonaro. A estratégia seria desgastar Lula internacionalmente e mobilizar aliados da direita fora do Brasil.
Em resposta, o governo organizou na 4ª feira (28.jan) uma reunião para tratar do enfrentamento ao antissemitismo. O encontro foi planejado para reforçar o compromisso institucional do governo com o combate à discriminação.
Participaram pesquisadores de universidades de 5 Estados brasileiros, rabinos, representantes de instituições como o Museu do Holocausto de Curitiba e de movimentos sociais como o Judeus pela Democracia e a Casa do Povo.
Entre as autoridades presentes, estavam:
- Geraldo Alckmin (na data, presidente interino –Lula estava no Panamá);
- Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais);
- Macaé Evaristo (Direitos Humanos e da Cidadania);
- Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos);
- Maria Laura (ministra substituta das Relações Exteriores);
- Clara Ant (Assessoria Especial de Apoio ao Processo Decisório da Presidência da República);
- Claudio Lottenberg, presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil);
- Lilia Schwarcz, professora da USP e integrante da Academia Brasileira de Letras.
Reunião de combate ao Antissemitismo no Brasil no Palácio do Planalto que aconteceu na 4ª feira (28.jan)
O Poder360 apurou que a iniciativa teve caráter preventivo. A estratégia do governo tem sido “vacinar” o debate público, antecipando possíveis críticas e reduzindo o espaço para narrativas que possam ser exploradas eleitoralmente por adversários.
O Planalto avalia que temas internacionais estarão presentes na campanha de 2026. Questões como relações com Israel, Venezuela e Estados Unidos devem ser exploradas pela oposição.
Por isso, o governo busca ocupar o espaço antes que críticas se consolidem e passou a tratar o antissemitismo como uma pauta sensível ao ambiente eleitoral, ao lado de crime organizado, democracia e regulação das plataformas digitais.
A orientação interna é reagir rapidamente a novos episódios e ampliar gestos políticos e diplomáticos que neutralizem acusações antes que ganhem tração fora do país e sejam reimportadas para o debate doméstico.
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