O setor público consolidado registrou deficit primário de R$ 55,0 bilhões em 2025, o equivalente a 0,43% do PIB, segundo dados divulgados nesta 6ª feira (30.jan.2026) pelo BC (Banco Central). O deficit aumentou 15,7% em relação a 2024.
O resultado considera as contas do governo federal, Estados, municípios e empresas estatais, com exceção da Petrobras e da Eletrobras. As estatísticas fazem parte do relatório de política fiscal divulgado mensalmente pelo BC. Leia a íntegra (PDF – 338kB).
Em 2024, o setor havia encerrado o ano com deficit primário de R$ 47,6 bilhões, correspondente a 0,40% do PIB.
O desempenho fiscal negativo em 2025 foi puxado principalmente pelo governo central, que acumulou deficit primário de R$ 58,7 bilhões (0,46% do PIB) no ano, acima do resultado registrado em 2024, quando o saldo negativo havia sido de R$ 45,4 bilhões (0,39% do PIB).
Os Estados e municípios, por outro lado, permaneceram superavitários. Os governos regionais registraram superavit primário de R$ 9,5 bilhões (0,07% do PIB) em 2025, ante saldo positivo de R$ 5,9 bilhões (0,05% do PIB) em 2024.
Resultado de dezembro
Em dezembro, o setor público consolidado apresentou superavit primário de R$ 6,3 bilhões, abaixo do resultado positivo de R$ 15,7 bilhões observado no mesmo mês de 2024.
No mês, houve:
- superavit de R$ 21,6 bilhões no governo central;
- superavit de R$ 4,5 bilhões nas empresas estatais;
- deficit de R$ 19,8 bilhões nos governos regionais.
Juros da dívida
A despesa com juros nominais do setor público consolidado, apropriados pelo critério de competência, somou R$ 1.007,6 bilhões em 2025, o equivalente a 7,91% do PIB.
Em 2024, os juros haviam alcançado R$ 950,4 bilhões (8,07% do PIB).
Somente em dezembro, os juros nominais totalizaram R$ 121,8 bilhões, ante R$ 96,1 bilhões no mesmo mês do ano anterior. Segundo o BC, contribuíram para a elevação interanual o aumento da taxa Selic e o crescimento do estoque da dívida líquida no período.
Resultado nominal
Com a inclusão dos juros, o resultado nominal do setor público consolidado —que engloba o resultado primário e o pagamento de juros— ficou deficitário em R$ 1.062,6 bilhões em 2025, o equivalente a 8,34% do PIB.
Em 2024, o deficit nominal havia sido de R$ 998,0 bilhões (8,47% do PIB).
Em dezembro, o resultado nominal foi negativo em R$ 115,5 bilhões, comparativamente ao deficit de R$ 80,4 bilhões registrado em dezembro de 2024.
Influência dos swaps cambiais
Segundo o Banco Central, a redução de 0,13 ponto percentual do PIB no deficit nominal em 2025 decorreu da diminuição dos juros nominais apropriados no ano, uma vez que o deficit primário apresentou leve elevação de 0,03 p.p. do PIB.
A queda dos juros nominais em 2025 foi a primeira após quatro anos consecutivos de alta, influenciada principalmente pelo resultado das operações de swap cambial, que registraram ganho de R$ 105,9 bilhões em 2025, ante perda de R$ 115,9 bilhões em 2024.
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