O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), assinou na 5ª feira (29.jan.2026) um decreto que autoriza a eventual imposição de tarifas sobre países que fornecem petróleo a Cuba. A medida pode afetar principalmente o México.
Segundo informações da AP (Associated Press), quando questionado por um repórter se estava tentando “sufocar” Cuba, Trump respondeu: “A palavra ‘sufocar’ é terrivelmente dura. Não estou tentando, mas parece que [Cuba] é algo que simplesmente não vai conseguir sobreviver”.
O decreto não especifica quais novas tarifas serão impostas. Caso seja constatado que um país esteja vendendo petróleo a Cuba, os secretários de Comércio, Estado, Tesouro e Segurança Interna, além do representante de Comércio do país, avaliarão se tarifas adicionais devem ser aplicadas a bens provenientes dessas nações que entrem no mercado norte-americano.
Caberá, então, ao presidente decidir, em última instância, quais tarifas serão adotadas. Eis a íntegra do decreto presidencial, em inglês (PDF – 678 kB).
No texto do decreto, Trump afirma que “o governo de Cuba tomou ações extraordinárias que prejudicam e ameaçam os Estados Unidos”, mencionando alianças com Rússia, China, Irã, Hamas e Hezbollah.
O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, criticou a medida, classificando-a como um “ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que agora estão ameaçados de serem submetidos a condições de vida extremas”.

Cuba enfrenta sérias dificuldades energéticas e econômicas, agravadas pelas sanções impostas pelos EUA. O país tem dependido de assistência estrangeira e envios de petróleo de aliados.
Desde a intervenção na Venezuela e a captura de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), Trump declarou que não permitirá mais envios de petróleo venezuelano para Cuba. Rodríguez acusou os EUA de usar “chantagem e coerção para tentar forçar outros países a se juntarem à sua política de bloqueio universalmente condenada contra Cuba”.
A empresa estatal de petróleo mexicana Pemex (Petróleos Mexicanos) enviou aproximadamente 20.000 barris diários para Cuba de janeiro a setembro de 2025, conforme seu relatório mais recente citado pela AP.
Na 3ª feira (27.jan), a presidente do México, Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda), afirmou que a Pemex havia suspendido temporariamente alguns envios de petróleo a Cuba. Ela caracterizou a pausa como parte de flutuações normais no fornecimento e como uma “decisão soberana”, não tomada sob pressão dos EUA. “O contrato determina quando os envios são feitos e quando não são feitos”, disse Sheinbaum.
Trump e Sheinbaum conversaram por telefone na manhã de 5ª feira (29.jan). A presidente mexicana declarou que o tema Cuba não foi abordado.
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