Os funcionários do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) querem levar as críticas à atual gestão para a presidência da República. A direção executiva da Assibge (Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística) se reuniu na 6ª feira com um integrante do governo federal para tratar sobre “sucessivas crises” da presidência de Marcio Pochmann.
O sindicato falou com o assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, Alexandre Varela, sobre conflito entre a gestão do órgão e os funcionários públicos. Segundo a associação, a relação com o corpo técnico do IBGE enfrenta “conflitos abertos” iniciados pela atual gestão.
Para o sindicalista, o principal conflito com Pochmann ganhou novos contornos depois de recentes demissões. Em 20 de janeiro, funcionários do IBGE assinaram uma “carta aberta aos servidores” criticando a retirada de diretores e “práticas” de Marcio Pochmann na condução do Instituto.
“A condução administrativa do Sr. Pochmann tem sido pautada por posturas autoritárias e desrespeito ao corpo técnico da casa, tendo culminado, em 15 de janeiro de 2025, na divulgação de um comunicado à sociedade para desferir ataque inaceitável à integridade ética dos servidores e de seu sindicato”, afirmou a carta, que não tem relação direta com o sindicato, mas foi divulgada espontaneamente pelos técnicos do IBGE.
Na imagem, Dilma Rousseff e Marcio Pochmann seguram o mapa-múndi invertido, com Brasil em destaque
Para o sindicato, o conflito foi desencadeado quando a atual direção do instituto buscou criar a “Fundação de Apoio IBGE+” para buscar financiamento privado para as suas iniciativas. Capitaneada por Pochmann, a ideia foi barrada pela AGU (Advocacia Geral da União), que considerou que não seria possível criar uma nova fundação ligada ao ente público, mas de direito privado.
A Assibge alega que a direção do Instituto “detonou uma nova crise” depois de exonerar o coordenador de Contas Nacionais, às vésperas da divulgação do PIB de 2025, que será divulgado em março. “A ASSIBGE-SN entende que, embora seja prerrogativa da administração substituir titulares de cargos de chefia, tais mudanças devem, necessariamente, priorizar a continuidade dos programas de trabalho e a preservação institucional”, declarou a organização.
O sindicato também menciona conflito com a área entre a direção do IBGE com a área de comunicação, com a inclusão de um conteúdo relacionado ao governo de Pernambuco. “Foi considerada grave a inclusão, em uma das publicações mais prestigiadas do IBGE, de conteúdo que sugeria elementos de propaganda de governo, maculando o caráter imparcial e técnico historicamente reconhecido da instituição”, afirmou o sindicato em nota.
O Poder360 procurou a direção do IBGE para perguntar se gostaria de se manifestar sobre as declarações do sindicato. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Powered by WPeMatico
