A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) abriu um processo administrativo disciplinar contra um oficial técnico de inteligência que mantém um canal no YouTube enquanto está afastado do trabalho por licença médica, mas segue recebendo salário. O investigado é Glauber Mendonça, que soma mais de 3 milhões de inscritos na plataforma com o canal Fala Glauber Podcast.
Segundo o g1, o servidor pode ter descumprido normas internas ao exercer atividade pública durante o período de afastamento, o que motivou a abertura do procedimento. De acordo com relatos de colegas, Mendonça está afastado desde o início de 2025 por questões de saúde, mas continuou produzindo conteúdo de forma regular.
No canal, ele se apresenta como policial federal e publica vídeos com comentários sobre segurança pública, críticas a políticos e análises de temas políticos. Em 2024, a Justiça determinou a suspensão de alguns conteúdos da página por considerar que havia indícios de disseminação de discurso de ódio e possível abuso do direito à liberdade de expressão.
Em um dos vídeos, o próprio agente afirma que o foco do canal é “bater em político” e “mostrar a realidade da política e da segurança pública”. Ele também diz gravar até 16 horas por dia, o que, segundo ele, exigiria “tempo para si”, já que o trabalho no canal funciona como uma “máquina”, com funcionários envolvidos.
Ao Poder360, a Abin informou que os ocupantes dos cargos de oficial de inteligência, oficial técnico de inteligência, agente de inteligência, agente técnico de inteligência e dos grupos informações e apoio são impedidos de exercer outra atividade remunerada, pública ou privada. A exceção à lei nº 11.776 de 2008, é o exercício da docência, desde que haja compatibilidade de horários, ausência de conflitos de interesses e autorização do diretor-geral do órgão.
O Poder360 também procurou Glauber Mendonça para saber se gostaria de se manifestar a respeito do processo administrativo disciplinar. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Eis a íntegra da nota da Abin enviada ao Poder360:
“A Lei nº 11.776, que estrutura o Plano de Carreiras e Cargos da ABIN, especifica as carreiras de Oficial de Inteligência, de Oficial Técnico de Inteligência, de Agente de Inteligência, de Agente Técnico de Inteligência, e os cargos do Grupo Informações e do Grupo Apoio.
“De acordo com a lei, aplica-se o regime de dedicação exclusiva apenas aos titulares das carreiras de Oficial de Inteligência e de Agente de Inteligência. Para estes cargos, há impedimento do exercício de outra atividade remunerada, pública ou privada, ressalvado o exercício do magistério, havendo compatibilidade de horários e ausência de conflito de interesses, mediante autorização específica regulamentada em ato do Diretor-Geral da ABIN.”
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