O MAPA atualizou nesta semana o ZARC da cana 2026, mudando janelas de plantio em 18 estados e no DF. Entenda por que isso pode afetar seguro rural, Proagro e crédito, e como evitar erros comuns.

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) parece burocracia, até o dia em que o produtor precisa de crédito, Proagro ou seguro rural e descobre que a “data certa” e o “município certo” podem decidir o resultado do sinistro.
Em 2026, a cana volta ao centro do debate por um motivo adicional: além de atualizar janelas de plantio, a nova versão é apresentada como a primeira grande revisão do ZARC da cultura após mudanças regulatórias que afetavam onde a cana poderia avançar e, principalmente, quem tinha restrição para acessar financiamento público.
Em outras palavras: o mapa que o produtor consulta deixou de ser “apenas uma recomendação” e passou a ser um filtro prático para políticas de gestão de risco.
Quais as mudanças?
A Portaria SPA/MAPA nº 4, de 22 de janeiro de 2026 (publicada em 26/01/2026), aprova o ZARC para cana-de-açúcar (açúcar e etanol) em sistema de sequeiro no Distrito Federal e em 18 estados, incluindo Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e outros polos relevantes. É aqui que o impacto aparece: o ZARC passa a orientar, com recorte municipal, quais períodos do ano concentram menor risco climático para o estabelecimento da lavoura.

O próprio MAPA destaca que a revisão traz mudanças metodológicas e de base de dados: atualização da série climática (1992–2022), avaliação de mais classes de solo e inclusão de municípios antes com restrição de acesso a financiamento público por regras anteriores.
Também mantém a lógica central do ZARC: classificar o risco de perda em faixas (20%, 30%, 40% e acima de 40%, quando não há recomendação de plantio) combinando água no solo, regime de chuvas e ciclo da cultura.
Por que isso pesa no seguro rural?
Na prática, o ZARC virou “linguagem comum” entre produtor, banco, assistência técnica e seguradora: ele documenta que a lavoura foi implantada dentro de uma janela de menor risco histórico para aquele município e tipo de solo.
Os três erros que mais derrubam cobertura (e que o novo ZARC tende a “expor” com mais clareza) são:
- Município ou localização errados no contrato/documentos (o ZARC é municipal; um erro simples muda a janela).
- Sistema/cultivar diferente do enquadrado (sequeiro vs. irrigação; ciclo e recomendação precisam bater com o que foi informado).
- Data fora da janela indicada (às vezes por “adiantar para aproveitar umidade”, às vezes por atraso operacional).
Para evitar disputa em sinistro, vale manter um pacote mínimo de evidências: data e talhão do plantio, notas/ordens de serviço, fotos com registro de data, coordenadas/identificação da área, recomendação técnica/cultivar utilizada e laudos básicos (como análise de solo, quando aplicável).
Como o novo ZARC deve ser usado
Para o produtor, a melhor leitura da atualização é menos “mudou a regra” e mais “mudou o meu roteiro”. O ZARC não serve para prever o tempo do mês; ele serve para reduzir risco estrutural, escolhendo datas em que, historicamente, a chance de a cana atravessar as fases críticas com água no solo e temperatura adequadas é maior.
Do lado do país, a atualização tem dois efeitos importantes. O primeiro é de gestão de risco: quando mais produtores plantam “dentro da janela”, há menos sinistros por decisão evitável e mais previsibilidade para crédito e seguro rural (inclusive no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, que existe justamente para reduzir o custo do seguro ao produtor).
O segundo é de eficiência: o ZARC empurra o planejamento para ser mais disciplinado, o que tende a melhorar produtividade média e reduzir conflitos pós-evento climático, mas exige organização documental e atenção a detalhe, porque o erro administrativo costuma ser tão caro quanto o erro agronômico.
Referência da notícia
Zoneamento de Risco Climático da cana-de-açúcar é revisado e atualizado. 26 de janeiro, 2026. MAPA
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