Na primeira sessão plenária após a retomada dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a deputada Alessandra Campelo (Podemos) ocupou a tribuna, nesta quarta-feira (04/02), para alertar sobre os dados alarmantes de feminicídio e estupro no Brasil, recentemente divulgados por órgãos oficiais e amplamente repercutidos pela imprensa nacional.
Ao comentar o recorde histórico de feminicídios registrado em 2025, a parlamentar destacou a gravidade do cenário e o impacto direto desses números na vida de milhares de famílias brasileiras.
“A gente começa o ano com os dados nacionais de 1.470 mulheres assassinadas simplesmente por serem mulheres, mulheres que foram mortas por seus companheiros, ex-companheiros ou parentes próximos. Isso significa que uma mulher é assassinada a cada seis horas no Brasil. E o pior: esses dados ainda não estão completos”, afirmou Alessandra Campelo.
Além dos feminicídios, a deputada também chamou atenção para os números da violência sexual no país, que continuam em patamares considerados críticos por especialistas e movimentos de defesa dos direitos das mulheres. O Brasil registrou mais de 83 mil casos de estupro e estupro de vulnerável em 2025, segundo dados informados por estados e Distrito Federal ao Ministério da Justiça. Isso representa uma média de 227 vítimas por dia ao longo do ano passado, o equivalente a aproximadamente 9 vítimas por hora ou um estupro a cada seis minutos no país.
“A cada seis minutos uma mulher é estuprada no Brasil. E estamos falando apenas dos casos oficialmente registrados. Sabemos que o estupro é um crime com altíssima subnotificação, o que torna esse cenário ainda mais cruel. É, talvez, o mais covarde dos crimes praticados contra meninas e mulheres”, lamentou.
Cenário no Amazonas
Ao trazer o debate para a realidade do Amazonas, Alessandra Campelo destacou o aumento expressivo no número de solicitações de medidas protetivas no Judiciário estadual, que saltaram de 9 mil, em 2024, para 12 mil, em 2025.
“As mulheres estão pedindo socorro. E, infelizmente, começamos 2026 com a certeza de que será mais um ano muito difícil para as mulheres do Brasil e do Amazonas. Apesar da redução nos registros de feminicídio no estado – de 29 casos em 2024 para 20 em 2025 – a violência doméstica segue em ritmo acelerado”, observou.
A parlamentar também classificou o início do ano como um “janeiro sangrento”, ao lembrar que apenas no primeiro mês de 2026 foram confirmados três feminicídios – dois em Manaus e um no interior – além de outros dois casos ainda sob investigação.
Atuação da Procuradoria da Mulher
Como Procuradora Especial da Mulher da Aleam, Alessandra Campelo apresentou um balanço das ações do órgão no primeiro mês do ano. Em janeiro, a Procuradoria realizou 178 atendimentos, incluindo novos casos, acompanhamentos psicossociais e jurídicos, peticionamentos, visitas domiciliares e encaminhamentos para unidades de saúde.
“Da nossa parte, da Procuradoria da Mulher, continuaremos aqui. Mesmo que seja cansativo, mesmo que seja enfadonho, essa é a nossa luta diária: denunciar, acolher e trabalhar para mudar essa realidade”, reforçou.
A deputada também informou que seu mandato e a Procuradoria Especial da Mulher estão participando da elaboração de um plano estadual de combate à violência contra a mulher, em articulação com outros órgãos da rede de proteção.
“Tenho solicitado ao governador Wilson Lima medidas mais duras e mais visíveis de enfrentamento à violência contra a mulher, porque essa violência é uma verdadeira pandemia que afeta o mundo inteiro e no Amazonas não é diferente”, concluiu.
Powered by WPeMatico
