A mineradora brasileira Serra Verde receberá um financiamento de US$ 565 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões) do governo dos Estados Unidos para exploração de terras raras. O acordo foi divulgado nesta 5ª feira (5.fev.2026) e inclui a possibilidade de participação minoritária do governo norte-americano na empresa. O investimento faz parte da estratégia dos EUA para garantir acesso a minerais considerados críticos, usados na fabricação de tecnologias avançadas, equipamentos militares e sistemas de energia limpa.
O Grupo Serra Verde é o único produtor em larga escala de terras raras pesadas críticas (HREEs), como disprósio e térbio, elementos usados em ímãs de alto desempenho e tecnologias de ponta, fora da Ásia. O financiamento será realizado pela Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC).
O pacto inclui a possibilidade de aquisição de uma participação minoritária na companhia pelo governo dos EUA, como parte de uma estratégia para reduzir a dependência de minerais críticos da China.
O anúncio vem um dia depois que o vice-presidente norte-americano JD Vance apresentou um pacote para criar um bloco comercial preferencial para minerais críticos e estabelecer preços mínimos. Washington busca diminuir o controle chinês sobre materiais essenciais para a manufatura avançada.
A Serra Verde, empresa de capital privado, anunciou que irá utilizar os recursos da DFC para refinanciar empréstimos em condições mais favoráveis e ampliar sua produção, segundo comunicado oficial. Além disso, os recursos serão direcionados para otimizar as operações da empresa no Brasil, expandindo a capacidade produtiva, possibilitando um perfil de custos operacionais sustentadamente mais baixo e aprimorando seu produto para novos mercados.
As conversas sobre a aquisição de uma participação minoritária pelo governo norte-americano estão em andamento. Em nota, o CEO da mineradora, Thras Moraitis, declarou que os detalhes dessa participação serão finalizados nos próximos meses.
A mina da Serra Verde, localizada no Brasil, é rica em terras raras pesadas, algo incomum em depósitos ocidentais, o que aumenta seu valor estratégico para os investidores norte-americanos.
O produto da empresa contém uma alta proporção de elementos como disprósio e térbio, além de outros elementos críticos essenciais para componentes de alta tecnologia utilizados nas indústrias automotiva, médica, de energias renováveis, eletrônica, robótica, de defesa e aeroespacial.
A mineradora brasileira começou sua produção comercial no início de 2024, mas ainda não alcançou sua capacidade total.
A Serra Verde pertence aos grupos de private equity Denham Capital, EMG (Energy and Minerals Group) e Vision Blue, este último liderado por Mick Davis, ex-diretor da Xstrata.
A empresa opera em uma região brasileira com tradição em mineração e processamento, o que contribui para condições operacionais favoráveis, como acesso a energia renovável, infraestrutura desenvolvida e disponibilidade de mão de obra qualificada.
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