Uma nova frente fria está prevista para ingressar no país a partir de amanhã. Este sistema irá trazer alívio para a onda de calor na Região Sul, mas irá reforçar chuvas extremas sobre o Sudeste.
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Um novo ciclone está se formando ao sul da América do Sul, e sua frente fria chegará ao Sul do Brasil ainda na sexta-feira (6). O sistema está previsto para começar a ingressar pelo sul do Rio Grande do Sul entre a manhã e a tarde da sexta, avançando em direção a Santa Catarina, Paraná e Região Sudeste ao longo do fim de semana.
No Sul, a frente fria vai marcar o fim da onda de calor, trazendo um alívio para as temperaturas extremas. Devido ao contraste térmico, as tempestades podem ser intensas e com riscos à população. Já no Sudeste, esse sistema irá reforçar as chuvas extremas, que vem causando muitos transtornos desde a última semana de janeiro. Confira os detalhes.
Virada no tempo: fim da onda de calor na Região Sul
O modelo de confiança da Meteored, o ECMWF, indica que tempestades devem ocorrer em toda a metade sul do Rio Grande do Sul entre a madrugada e a noite de sexta-feira (6), podendo ser mais intensas no extremo sul do estado.
Ao longo da madrugada de sábado (7), a linha de tempestades relacionada à frente fria se fortalece e avança sobre o centro-norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. As tempestades têm potencial de severidade, com formação de granizo, muitos raios e rajadas intensas de vento.

No domingo (8), as tempestades tendem a se concentrar na faixa leste de Santa Catarina – onde as chuvas devem ser intensas, com volumes elevados e potencial de transtornos – leste e metade norte do Paraná. Nas demais áreas da região Sul, a chuva deve cessar.
O alívio nas temperaturas já começa no sábado (7), que não deve ter temperaturas extremas, enquanto o domingo (8) deve ter um amanhecer fresco em quase toda a região Sul, podendo fazer cerca de 11°C na Serra Gaúcha e Catarinense.

À tarde as temperaturas sobem, mas o calor será dentro da normalidade, com temperaturas mais amenas na faixa leste da região Sul e mais quentes (em torno dos 30°C) no oeste.
Chuvas extremas no Sudeste: nova ZCAS à vista
A chegada da frente fria à Região Sudeste será reforçada por grande quantidade de vapor d’água vindo das áreas tropicais na forma de um rio atmosférico (região com muita umidade na atmosfera). Este rio atmosférico começa atuar no domingo (8) em uma área que se estende desde Goiás, passando por Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, e se fortalece na segunda-feira (9).

Essa ‘injeção de umidade’ via rio atmosférico está diretamente relacionada com a previsão de um novo episódio de chuvas extremas sobre a região Sudeste, principalmente entre domingo (8) e segunda (9), como é destacado pelo índice de previsão extrema (EFI) do modelo ECMWF para a precipitação abaixo.

Este índice ressalta áreas onde a previsão de chuva acumulada diária alcança valores considerados elevados e fora do normal, indicado pela escala de cores entre amarelo e vermelho dentro das linhas pretas. Valores entre 0,5 e 0,8 indicam que provavelmente um evento ‘incomum’ irá acontecer, enquanto valores entre 0,8 e 1 apontam para probabilidade de ocorrência de um evento ‘extremo’.

As chuvas serão intensas sobre uma ampla área do Brasil, abrangendo as cinco regiões, mas principalmente numa faixa com orientação noroeste sudeste, desde a Amazônia em direção ao Sudeste, formando mais um episódio de Zona de Convergência do Atlântico Sul, a famosa ZCAS.
Até o final da terça-feira (10) as chuvas podem se aproximar ou ultrapassar os 200 mm em diversos estados, desde o Amazonas, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, com maiores acumulados e transtornos sobre a região Sudeste.

Isso se deve principalmente por dois motivos: a Região Sudeste já vem sendo impactada por chuvas intensas com muitos transtornos, o que deve ser agravado nos próximos dias com novos volumes elevados, mas também pela urbanização e consequente alta densidade populacional.
É importante reforçar que os modelos numéricos operacionais atualizam as previsões a cada hora, sendo importante monitorar a evolução deste sistema.
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