A ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Isabel Gallotti deixou a comissão de sindicância que irá apurar a conduta do ministro Marco Buzzi, 68 anos, suspeito de ter assediado sexualmente uma jovem de 18 anos. Os ministros Raul Araújo e Antônio Carlos Ferreira continuam na comissão.
A expectativa interna é de que a Corte defina um novo nome ainda hoje. O Poder360 apurou que o caso já foi levado à Presidência do Tribunal, onde houve um novo sorteio em papel.
A sindicância é um procedimento administrativo para apurar fatos e responsabilidades de servidores públicos. É baseado na lei nº 8112 de 1990.
Após as investigações, a sindicância pode ser arquivada, gerar uma advertência, suspensão de até 30 dias ou evoluir para um processo disciplinar. Neste último caso, o Ministério Público é acionado.
O procedimento foi definido durante sessão extraordinária do Pleno do Tribunal, que conta com os 33 ministros do Tribunal. Os ministros responsáveis foram definidos por sorteio.
De acordo com o relato obtido por este jornal digital, durante a sessão, Buzzi negou com veemência as alegações, dizendo que só soube pela imprensa. No entanto, ele quase não participou do julgamento que definiu seu futuro na Corte. Ficou poucos minutos na sessão, apresentou sua defesa e saiu do plenário.
O magistrado formalizou nesta 5ª feira (5.fev.2026) o pedido de licença ao presidente da Corte, Herman Benjamin, conforme antecipado pelo Poder360. Serão 10 dias de licença que podem ser renovados.
Em nota, o magistrado afirmou que teve um “forte-mal estar” na noite de 4ª feira e foi levado a um hospital em Brasília, onde está internado. “Nos 5 cinco anos, o ministro teve instalados em seu coração 5 stents e 1 marca passo. Trata-se de quadro de saúde que exige atenção médica redobrada, sobretudo em situações de forte tensão”, declarou.
ENTENDA
Segundo apurou o Poder360, 3 ministros do STJ levaram o caso ao presidente da Corte, Herman Benjamin, na 3ª feira (3.fev.2026). Pediram a apuração do caso e a aposentadoria do magistrado. A informação foi publicada pela Veja e confirmada por este jornal digital.
O gabinete do ministro negou as acusações. “O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”, declarou.
O caso foi levado aos ministros do STJ pelos pais da vítima, que pediram a responsabilização do magistrado. Segundo relatos obtidos por este jornal digital, Buzzi tentou agarrar a jovem durante um banho de mar em Balneário Camboriú, Santa Catarina. A família da jovem estava hospedada na casa de Buzzi.
O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, colheu nesta 4ª feira (4.fev), o depoimento da mãe da vítima, acompanhado por um integrante do MPF (Ministério Público Federal), uma delegada da Polícia Federal e seu juiz auxiliar.
Buzzi vai responder disciplinarmente no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e criminalmente no Supremo, onde o caso tramita sob relatoria do ministro Nunes Marques. É possível também que ele seja acionado no Senado Federal, pois pode sofrer um impeachment. Uma ala do STJ defende a aposentadoria compulsória do magistrado.
O QUE DIZ O CNJ
Em nota, o CNJ declarou que o caso está em sigilo.
“O CNJ esclarece que o caso está tramitando no âmbito da Corregedoria Nacional de Justiça, em sigilo, como determina a legislação brasileira. Tal medida é necessária para preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar a exposição indevida e a revitimização. A Corregedoria colheu nesta manhã depoimentos no âmbito do processo”.
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