O presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Júnior, afirmou nesta 5ª feira (5.fev.2026) que o instituto decidiu não renovar o acordo de cooperação técnica com o Banco Master devido ao alto volume de reclamações e de contratos de crédito consignado sem comprovação.
Segundo Waller, em outubro de 2025 havia 324.849 contratos de consignado firmados com o Master. Desse total, 251 mil não tinham comprovação de regularidade. Diante do cenário, o INSS optou por não renovar o ACT (Acordo de Cooperação Técnica), que permite às instituições financeiras acessar serviços previdenciários, como a concessão de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas.
“O Master tinha um acordo de cooperação técnica assinado desde 2020, que vigora por cinco anos. Esse acordo venceu em 18 de setembro. Nós verificamos a quantidade de reclamação dos nossos segurados e entendemos por bem não renovar o acordo”, declarou Waller durante depoimento à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS.
Assista ao depoimento de Gilberto Waller:
O presidente do instituto disse que a decisão foi tomada antes de qualquer medida de órgãos de controle ou de repercussão do caso na imprensa. “Muito antes da liquidação do Master, muito antes de qualquer órgão de controle falar sobre isso, a orientação do presidente da República foi passar um pente-fino, porque havia algo de errado”, afirmou.
O Banco Master foi comunicado da decisão em 8 de outubro de 2025. Duas reuniões chegaram a ser convocadas para que a instituição explicasse as irregularidades encontradas. Mas, segundo o INSS, não houve esclarecimentos satisfatórios. Em 26 de novembro, o instituto decidiu suspender os repasses ao banco, bloqueando cerca de R$ 2 bilhões em pagamentos relacionados ao consignado.
CPMI do INSS
A CPMI que investiga fraudes no INSS retirou de pauta nesta 5ª feira (5.fev) um requerimento que previa a quebra de sigilo bancário e fiscal do Banco Master. De acordo com o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), não houve consenso entre os líderes partidários. A análise do pedido ficou para o final de fevereiro, após o Carnaval.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, será ouvido pela CPMI em 26 de fevereiro. O depoimento estava previsto para esta 5ª feira, mas foi adiado após acordo entre a comissão, a defesa do banqueiro e o ministro do STF Dias Toffoli. Vorcaro será ouvido como testemunha e, por ser investigado pela PF, poderá se recusar a responder perguntas que possam incriminá-lo.
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