O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lançou neste sábado (7.fev.2026) o livro “Capitalismo Superindustrial – Caminhos diversos, destino comum”. O evento de lançamento foi realizado no Sesc 14 Bis, na região da Bela Vista, em São Paulo. Houve uma mesa de debate com a participação da historiadora Lilia Schwarcz e do sociólogo Celso Rocha de Barros. A economista Leda Paulani, que também iria compor o grupo, acompanhou o evento da plateia por motivos pessoais.
Durante o debate, o ministro associou a fragilidade democrática do Brasil à herança escravocrata. Declarou que o Estado foi entregue às elites como indenização pela abolição: “A classe dominante do Brasil entende o Estado como o dela”. Haddad destacou sua tese, dos anos 1990, de que o esgotamento do neoliberalismo sem uma resposta da esquerda abriria caminho para o que avalia ser um radicalismo. “Minha previsão no final dos anos 90: vai vir a crise do neoliberalismo, não vamos ter resposta e a direita vai ascender”.
A tese central do livro do ministro afirma que o capitalismo contemporâneo avançou para uma fase de “superindustrial”, caracterizada pela mercantilização não apenas da terra e do trabalho, mas também do conhecimento, da informação e da ciência.
FRAGMENTAÇÃO DE CLASSES
Haddad argumenta que essa transformação resultou na fragmentação das classes não proprietárias em 3: o cognitariado, classe cujo principal recurso é o conhecimento, o proletariado tradicional e o precariado. Segundo o autor, essa nova configuração impede a organização automática dos trabalhadores, exigindo que a política atue para superar o sistema. “O desafio da política não é esperar o automatismo do sistema; ele não vai gerar automaticamente a sua superação”, afirmou.
A obra também analisa o desenvolvimento de potências orientais, como Rússia e China, sob a ótica da “acumulação primitiva de capital”. Para ele, essas experiências não foram revoluções socialistas, mas processos de industrialização acelerada via despotismo estatal. Sobre a relevância atual da China, destacou: “As forças materiais concorrem para que esse debate se imponha, e tenhamos que revisitar esse tipo de pergunta”.
Em tom de ironia, justificou a publicação da obra pela necessidade de fundamentar a ação política em uma análise objetiva da realidade. “Não é muito recomendável que o ministro da Fazenda publique um livro desse”. Disse que não poderia deixar o cargo “sem publicar” o livro. Haddad deixará o ministério. Ele afirmou que sua intenção é ajudar Lula na campanha à reeleição, mas o PT e o presidente querem que ele dispute o governo de São Paulo ou o Senado.
LIVRO DE HADDAD
“Capitalismo superindustrial – Caminhos diversos, destino comum” reúne uma coletânea de estudos em economia política realizados de 1980 a 1990.
Em 16 de dezembro, Haddad anunciou no Instagram o início da venda do livro.
“Eu estou muito feliz, porque estou anunciando aqui que saiu um novo livro meu, chamado ‘Capitalismo superindustrial’, que reúne trabalhos de economia política da minha juventude, mas que ganharam atualidade com os adventos contemporâneos, as mudanças estruturais pelas quais passa o sistema”, declarou o ministro na época.
Haddad disse que o livro aborda a “ciência como fator de produção” e a emergência da China como potência econômica global. O ministro disse que os textos ajudam a entender as mudanças estruturais e o modo de produção atual. O livro tem sido vendido por R$ 99,90 na versão física e por R$ 39,90 na versão para o Kindle.
Esta reportagem foi produzida pela estagiária Gabriella Santos sob a supervisão de Brunno Kono.
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