O cantor porto-riquenho Bad Bunny, 31 anos, um dos principais nomes da indústria musical global, será o 1º artista latino a se apresentar como headliner do show do intervalo do Super Bowl. O evento é o mais assistido da televisão dos Estados Unidos, e bateu recorde de audiência em 2025 com 171,8 milhões de espectadores, segundo instituto de medição Nielsen.
A apresentação deste domingo (8.fev.2026) se dá no contexto de uma escalada de atritos entre o artista e o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano). Bad Bunny critica as políticas anti-imigração do republicano.
Na cerimônia do Grammy 2026, o cantor venceu a categoria álbum do ano com “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” e abriu seu discurso com uma crítica direta ao ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega):
“Antes de agradecer a Deus, vou dizer: fora ICE”, afirmou Bad Bunny.
Em julho de 2025, o cantor nascido em Bayamón (Porto Rico) lançou o videoclipe da música NUEVAYoL. Ele traz uma voz simulada de Trump pedindo desculpas aos imigrantes e declarando que os EUA “não são nada sem mexicanos, dominicanos, porto-riquenhos, colombianos, venezuelanos e cubanos”.
A crítica ganhou dimensão prática quando Bad Bunny anunciou que não levará sua próxima turnê aos EUA. Em entrevista ao site iD Co, afirmou que a decisão foi motivada pelo receio de ações policiais coordenadas do ICE nos arredores dos shows contra o público latino.
O posicionamento do artista se dá por causa do endurecimento da política anti-imigração do governo Trump, que transformou o tema em uma prioridade do seu 2º mandato. As ações implementadas pelo presidente norte-americano são alvo de críticas no relatório mundial World Report 2026, da ONG HRW (Human Rights Watch), divulgado na 4ª feira (4.fev).
Segundo a organização, em 2025, imigrantes e solicitantes de asilo foram submetidos a “condições desumanas e tratamento degradante”. O relatório também afirma que, ao alegar um risco de “apagamento civilizacional” na Europa e recorrer a retóricas racistas, o governo Trump “abraçou políticas e discursos alinhados à ideologia supremacista branca”.
O documento também cita as mortes de Renée Good e Alex Pretti, ambos de 37 anos, durante operações do ICE em Minneapolis (Minnesota) no intervalo de 1 mês.
Segundo o estudo, “agentes de imigração mascarados têm como alvo pessoas racializadas, usando força excessiva, aterrorizando comunidades, prendendo injustamente dezenas de cidadãos e, mais recentemente, matando injustificadamente duas pessoas em Minneapolis”. Eis a íntegra do documento, em inglês (PDF – 4 MB).
Em outubro de 2025, em entrevista ao programa Greg Kelly Reports da emissora Newsmax, o presidente norte-americano foi perguntado sobre o cantor. Respondeu que “nunca ouviu falar” de Bad Bunny ao comentar a decisão da NFL (National Football League) de convidá-lo para o show do intervalo: “Nunca ouvi falar dele. Não sei quem ele é. Não sei por que estão fazendo isso”, declarou.

Em janeiro de 2026, em uma entrevista ao jornal New York Post, Trump anunciou que não comparecerá à final da NFL em Santa Clara, Califórnia, e criticou abertamente a escolha dos artista Bad Bunny e da banda Green Day para os shows do evento: “Sou contra ambos. Acho uma escolha terrível. Tudo o que isso faz é semear ódio”, declarou.
Esta reportagem foi produzida pela trainee em jornalismo do Poder360 Isadora Vila Nova sob supervisão da editora-assistente Aline Marcolino.
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