O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, disse nesta 4ª feira (11.fev.2026) que a remuneração do trabalho é reajustada acima da inflação e acima do ganho de produtividade no Brasil. Defendeu criação de medidas para o investimento privado produzir ganhos de produtividade de maneira “mais sustentável”.
Galípolo afirmou que o mercado de trabalho está “apertado”, com impactos nos preços. Disse que o Banco Central vai “combater” a inflação independentemente da razão. Sinalizou, também, que a produtividade não tem aumentado no ritmo do mercado de trabalho. A fala se deu durante participação no “CEO Conference Brasil 2026”, organizado pelo BTG Pactual, em São Paulo.
Por causa dessa diferença, o presidente do Banco Central afirmou ser “central” uma discussão para criar um ambiente de negócios que seja mais convidativo ao investimento privado –que consiga produzir de maneira “sustentável” ganhos de produtividade.
“Um segundo problema, que também me parece ser de ordem estrutural, é que a gente ainda é uma economia que vê poucos ganhos de produtividade. E a gente segue vendo reajustes na remuneração do trabalho acima da inflação e acima da produtividade”, disse.
“Eu acho que a melhoria de bem-estar que o investimento, que o crescimento pode proporcionar para uma sociedade está muito calcado em a gente conseguir observar ganhos de produtividade, o que tende a colaborar para a política monetária, para as contas públicas, para uma série de questões, se a gente conseguir ter uma harmonia maior entre os ganhos de produtividade e a remuneração do mercado de trabalho”, afirmou.
MERCADO DE TRABALHO
A taxa de desocupação terminou o último trimestre de 2025 aos 5,1%, o menor patamar da série histórica. A população ocupada está em nível recorde. A renda, também. O presidente do BC afirmou que, desde a pandemia de covid-19, há uma dificuldade em extrair sinais mais claros sobre a tendência do mercado de trabalho.
Galípolo disse que efeitos conjunturais e estruturais explicam o mercado de trabalho aquecido mesmo com o ciclo de aperto monetário dos últimos anos. Declarou não ser uma discussão feita somente no Brasil.
“A partir da covid você tem uma quebra que é relevante, que vem dificultando muito você conseguir dar uma continuidade, fazer um acompanhamento para esta série histórica”, disse o presidente do BC.
Ele afirmou que transformações estruturais criaram formas de empregabilidade, com trabalhos associados às plataformas digitais. A inteligência artificial também terá impacto.
A ocupação e a renda em patamares recordes impactam na política monetária com o fomento do consumo das famílias e maior pressão nos preços, especialmente de serviços.
“Apesar de ter sinais mistos, a gente tem um mercado de trabalho que segue bastante apertado. A gente está com níveis de desemprego historicamente baixos”, disse. “A função do banqueiro central é combater a inflação, independente da razão”.
POLÍTICA MONETÁRIA
Galípolo voltou a dizer que a palavra-chave para o BC agora é “calibragem” na política monetária. Afirmou que ainda há incertezas do ponto de vista de tendências econômicas. Ele disse que o Banco Central decide sinalizar uma queda da taxa básica, a Selic, só em março para a autoridade monetária reunir mais confiança para iniciar o ciclo de flexibilização monetária.
“Neste ambiente onde você tem menos confiança, dado o tamanho da incerteza em projeções, a atitude do Copom foi ser mais conservador e esperar 45 dias para que a gente possa iniciar esse ciclo com maior confiança”, disse Galípolo.
Medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação anualizada do Brasil acelerou de 4,26% em dezembro para 4,44% em janeiro.A mediana das projeções obtidas pelo Poder360 indicava que a inflação acumulada em 12 meses até janeiro seria de 4,41%. A meta de inflação do Brasil é de 3%, com intervalo de tolerância de até 4,5%. Portanto, a taxa anualizada está dentro da banda delimitada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
No governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a inflação ficou acima do intervalo permitido em 22 dos 37 meses, de janeiro de 2023 a janeiro de 2025.
Para controlar a inflação e expectativas futuras dos agentes financeiros, o Banco Central implementou um ciclo de reajustes na taxa básica, a Selic, que iniciou em agosto de 2024 e terminou um junho de 2025. No período, o juro-base aumentou de 10,5% para 15% ao ano.
O Copom (Comitê de Política Monetária) sinalizou na última reunião, em janeiro, que deverá um corte na taxa Selic no próximo encontro, em março. Economistas ainda avaliam se o início de corte de juros começará com uma redução de 0,25 ponto percentual ou de 0,5 ponto comercial.
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