A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez (MSV, esquerda), afirmou ter recebido um convite oficial do governo de Donald Trump para visitar Washington. Em entrevista à rede americana NBC publicada nesta 5ª feira (12.fev.2026), a sucessora de Nicolás Maduro –preso pelos Estados Unidos há cerca de um mês –disse que avalia a viagem assim que for estabelecida uma “cooperação” plena entre as nações. É a primeira vez que Delcy fala a um veículo de imprensa dos EUA desde que assumiu o comando em Caracas.
Mesmo ocupando a presidência interina e negociando diretamente com a Casa Branca, Delcy manteve a retórica de lealdade ao líder deposto. Segundo ela, Maduro continua sendo a “autoridade legítima” e sua prisão no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn é injusta. “Tanto o presidente Maduro quanto Cilia Flores [ex-primeira-dama] são inocentes”, declarou ao programa Meet the Press.
ANISTIA E DIÁLOGO POLÍTICO
Enquanto a liderança interina busca interlocução externa, o regime também faz acenos internos à oposição. O presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez (PSUV, esquerda), irmão de Delcy, pediu perdão aos presos políticos do país durante uma sessão legislativa.
Na ocasião, os congressistas debateram um projeto de lei de anistia que abrange acusados de crimes como “traição à pátria”, “terrorismo” e “incitação ao ódio”. O texto foi aprovado de forma unânime em primeira votação, e uma nova rodada de debates estava prevista para esta 5ª feira (12.fev.2026). O movimento é visto como uma tentativa de pacificação para viabilizar o novo momento diplomático.
ABERTURA ENERGÉTICA
A aproximação ocorre paralelamente a uma mudança drástica na política econômica de Washington. O Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma licença geral na 3ª feira (10.fev.2026) autorizando o fornecimento de tecnologia e serviços para a produção de petróleo e gás na Venezuela.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, está em Caracas para estruturar um plano de revitalização do setor, com expectativa de forte participação de investidores americanos. Logo após assumir o cargo, Delcy Rodríguez já havia selado um acordo de fornecimento de petróleo de US$ 2 bilhões com os EUA, sinalizando o fim do isolamento comercial imposto em 2019 e a consolidação de sua liderança perante a comunidade internacional.
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