A China vai aplicar tarifas antidumping sobre certas importações de laticínios da UE (União Europeia) por 5 anos, depois de concluir que o apoio governamental europeu prejudicou a indústria nacional.
O Ministério do Comércio da China informou na 5ª feira (12.fev.2026) que a decisão final abrange produtos como queijo e creme de leite fresco e entrará em vigor nesta 6ª feira (13.fev).
A decisão formaliza as medidas comerciais de Pequim sobre os produtos lácteos da UE, embora as tarifas mais baixas sugiram um esforço para limitar o impacto sobre os consumidores ou aliviar as tensões.
De acordo com a decisão, as tarifas sobre 14 empresas selecionadas vão variar de 7,4% a 11,7%, enquanto outras empresas cooperantes enfrentarão uma taxa de 9,5%. Todas as outras empresas da UE estarão sujeitas à taxa máxima de 11,7%. As tarifas finais representam uma redução acentuada em relação às preliminares de 21,9% a 42,7% propostas em dezembro de 2025.
A medida surge na sequência de uma investigação sobre subsídios iniciada em agosto de 2024 e agrava as recentes disputas comerciais entre a China e a UE, uma vez que Pequim procura proteger os produtores nacionais da queda dos preços que as autoridades atribuem às importações subsidiadas.
Na sua decisão final, o ministério afirmou ter encontrado uma relação causal entre os subsídios concedidos aos produtores de laticínios da UE e os danos materiais causados à indústria chinesa. Durante o período de investigação, de 1º de janeiro de 2020 a 31 de março de 2024, as remessas da UE representaram de 23,6% a 34,6% do total das importações chinesas dos produtos em análise, tornando o bloco um dos principais fornecedores.
O ministério afirmou que, embora a procura interna, a produção e as vendas tenham aumentado, os produtores enfrentaram dificuldades devido à acentuada queda dos preços. Os valores dos laticínios no mercado interno caíram de 6,2% a 7,6% em 2022 e de 7,9% a 9,7% em 2023. A queda se acelerou no 1º trimestre de 2024, com recuos de 9% a 11%.
“Embora a demanda do mercado tenha crescido e alguns indicadores mostrem uma certa tendência de crescimento, a produção e as operações do setor doméstico enfrentaram dificuldades gerais e sofreram danos substanciais”, declarou o ministério.
Lin Guofa, pesquisador sênior do BRIC Agri-Info Group, disse que as tarifas poderiam ajudar a aliviar o excesso de oferta no mercado interno. No entanto, acrescentou que os exportadores da Nova Zelândia e da Austrália provavelmente preencherão qualquer lacuna na oferta, limitando o impacto no curto prazo. Ele afirmou que os produtores nacionais devem se concentrar em melhorar a qualidade dos produtos para fortalecer a confiança do consumidor.
A decisão segue uma definição semelhante de dezembro de 2025, quando o ministério impôs direitos antidumping de 4,9% a 19,8% sobre carne suína e subprodutos suínos da UE, argumentando prejuízo causado pelo dumping.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 13.fev.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
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