O BM (Banco Mundial) divulgou que os incêndios florestais no Brasil geraram prejuízos econômicos de US$ 35,9 bilhões em 2024. O valor equivale a 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, conforme relatório publicado em novembro de 2025. Este montante representa quase o dobro da média de perdas registradas entre 2019 e 2023.
O estudo compilou dados de diversas organizações que monitoraram os efeitos das queimadas que afetaram diferentes regiões do país no ano passado, com destaque para áreas próximas à Amazônia. Com base nesses dados, o documento “Consequências dos Incêndios de 2024 no Brasil: uma breve avaliação dos danos” foi elaborado pelo BM a pedido do governo federal brasileiro. Eis a íntegra (PDF – 20 MB).
O setor do agronegócio sofreu o maior impacto negativo, calculado em US$ 17,1 bilhões. O relatório do BM detalha que os incêndios destruíram 12,2 milhões de hectares de pastagens no território brasileiro. Além disso, 4,4 milhões de hectares de terras agrícolas e 400 mil hectares de áreas madeireiras foram consumidos pelo fogo.esse
Os danos ambientais causados pela liberação de gases de efeito estufa durante as queimadas foram estimados em US$ 9,8 bilhões. Esse impacto coloca em risco os compromissos climáticos internacionais… assumidos pelo Brasil, segundo o BM.
A poluição gerada pelos incêndios resultou em aproximadamente 8.240 mortes prematuras por exposição às partículas finas. Essas mortes geraram um custo social e econômico de US$ 7,1 bilhões, sem considerar gastos com internações hospitalares e perda de produtividade por doenças respiratórias.
De acordo com o BM, os incêndios afetaram diretamente a cadeia de suprimentos e pressionaram a inflação de alimentos. A capacidade de exportação do país foi reduzida no curto e médio prazo.
Em um cenário mais pessimista, os danos em 2024 poderiam ter alcançado US$ 68,4 bilhões. Este valor equivaleria a 2,8% do PIB brasileiro.
O BM recomenda que o Brasil trate a gestão de incêndios florestais não apenas como questão ambiental, mas como estratégia econômica. O relatório recomenda análises de custo-benefício para orientar a alocação de recursos e o desenho de políticas públicas. “Conhecer os impactos dos programas de combate a incêndios é essencial, compará-los aos seus custos é ainda melhor, e saber quanto dano ao planeta, às pessoas e à economia eles ajudam a evitar é ainda mais importante”, conclui o BM.
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