As notícias que circulam nesses dias revelam um abismo moral que já não pode ser ignorado. De um lado, o mundo conhece os horrores das revelações sobre Jeffrey Epstein e os abusos cometidos em sua ilha particular. Do outro, o Brasil assiste atônito a história de um piloto da aviação comercial exposto como predador sexual de crianças. Até agora, são dez vítimas confirmadas. Dez vidas pequenas, frágeis, inocentes, marcadas por uma violência que deixa cicatrizes por toda a vida.
O mais perturbador é perceber que esse caso não é isolado. Investigações indicam redes inteiras de exploração que sequestram a inocência dos infantes e as transformam em mercadoria para o prazer de pessoas que perderam qualquer rastro de humanidade. O mal existe. Não é uma metáfora distante e não vive apenas em filmes de ficção. Ele se encarna. Ele veste uniforme de piloto, ele sorri como professor, ele se infiltra em ambientes familiares, ele se aproxima disfarçado.
Há, porém, algo que torna essa tragédia ainda mais sombria. Algumas avós entregaram suas próprias netas ao agressor. A família, criada por Deus como primeira barreira de proteção, tornou-se a porta que permitiu a entrada do inimigo. É o colapso do afeto natural, exatamente como Paulo descreveu a Timóteo. Quando o instinto mais elementar de proteger os fracos se dissolve, toda a arquitetura moral de uma sociedade desaba.
O abuso sexual é o assassinato da infância. Ele destrói a confiança, confunde a identidade, rouba o futuro. A profanação de uma criança jamais pode ser explicada por pobreza, circunstâncias adversas, traumas ou fragilidades emocionais. Pedofili@ não é doença, é crime. E crime exige resposta proporcional à gravidade.
O Estado existe para proteger os vulneráveis. Quando essa função falha, todo o edifício da justiça perde seu sentido. As autoridades precisam agir com vigor, não apenas contra o predador, mas contra todos que colaboraram com o abuso. Nos evangelhos, a única vez que Jesus menciona a possibilidade do suicídio é ao falar sobre fazer tropeçar um pequenino. Melhor seria amarrar uma pedra de moinho ao pescoço e lançar-se ao mar. Não é metáfora poética. É a declaração mais grave de Jesus sobre responsabilidade moral diante das crianças.
Uma sociedade precisa erguer muralhas reais em defesa de suas crianças. Homens maus precisam ser detidos por homens investidos de autoridade. Famílias precisam recuperar o senso sagrado de proteção. Instituições precisam agir sem hesitação diante do hediondo. Quando adultos abandonam seu dever mais básico e quando sistemas inteiros escolhem a omissão, a infância sangra e a nação perde sua alma.
Deus trata uma sociedade conforme ela trata suas crianças. Não existe relativização possível. A infância é inviolável. A inocência é um território sagrado. A quebra desse santuário exige resposta firme, clara, rápida e justa.
Que essa tragédia nos desperte para proteger nossos pequenos com a urgência que eles merecem. Uma sociedade que fere suas crianças fere o seu próprio futuro. Uma sociedade que as protege resgata sua dignidade diante de Deus e diante da história
O post O Assassinato da Infância e o Colapso do Afeto Natural apareceu primeiro em A Gazeta do Amapá.
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