Nenhum profissional de saúde é infalível. Equipes que conversam, se respeitam e se ajudam erram menos e protegem mais o paciente.
A missão de qualquer equipe de saúde é uma só: o bem-estar do paciente. Médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, farmacêuticos e tantos outros profissionais existem para oferecer um cuidado seguro e eficaz.
Erros de prescrição ou falhas no preparo e na administração de medicamentos sempre fizeram parte da realidade da assistência. Entretanto, a percepção é de que se tornaram mais frequentes. Avaliações recentes apontam fragilidades importantes na formação de parte dos profissionais que chegam ao mercado, o que naturalmente acende um alerta. Ainda assim, é preciso reconhecer: mesmo equipes experientes e bem treinadas não estão imunes a falhas.
Vivemos também um momento delicado na organização das profissões da saúde. As atribuições de cada área são claras e historicamente construídas. Ainda assim, observa-se por vezes que alguns conselhos priorizam disputas de espaço e a proposição de normas que avançam sobre atos privativos da medicina ou de outras categorias, tensionando a legislação vigente.
Ao longo de mais de duas décadas de exercício profissional, com atuação em prontos atendimentos, enfermarias, UTIs, na reumatologia e nos conselhos de medicina, aprendi que um dos fatores mais determinantes para prevenir erros de prescrição e de administração de medicamentos é o trabalho em equipe.
Ter senso de equipe é confiar que todos estão ali pelo mesmo objetivo: o paciente. Um auxilia o outro dentro das atribuições de cada profissão. O médico tem responsabilidades específicas; enfermeiros e técnicos possuem outras. Quando cada elo funciona bem, o cuidado se fortalece.
Os sistemas eletrônicos de prescrição trouxeram avanços importantes, com mais clareza e rastreabilidade, reduzindo problemas clássicos das receitas manuais. Porém, não são perfeitos. Também podem induzir enganos ou automatizar escolhas inadequadas. Recentemente, em um hospital privado de Macapá, um possível erro relacionado ao sistema foi percebido pela mãe da paciente — um lembrete de que a vigilância deve ser coletiva.
Somos humanos. E, por isso, falhamos.
Ao longo dos anos, presenciei administração de medicamentos por vias incorretas, equívocos de diluição corrigidos minutos antes da aplicação e, em outras situações, fui alertado por profissionais da enfermagem sobre inconsistências em prescrições que elaborei. É exatamente assim que deve funcionar: um profissional atento complementando o olhar do outro.
Trabalho em equipe significa respeito às atribuições, comunicação clara e um ambiente em que todos podem falar e ser ouvidos. Não se trata de hierarquia, mas de responsabilidade compartilhada.
Esta é uma mensagem especial aos colegas médicos e enfermeiros mais jovens ou menos experientes: cultivar relações profissionais saudáveis salva vidas. A proximidade entre medicina e enfermagem exige diálogo permanente, postura colaborativa e humildade para reconhecer que ninguém cuida sozinho.
Fortalecer a formação, valorizar as competências de cada profissão e estimular o trabalho cooperativo não é apenas uma escolha administrativa — é um dever ético com a vida de quem confia em nós.
O post Segurança do paciente: trabalho em equipe é a melhor prevenção contra erros apareceu primeiro em A Gazeta do Amapá.
Powered by WPeMatico

