
Bastou um período mais longo de estiagem para comprovar que não havia nada organizado e efetivo a fim de enfrentar as queimadas descontroladas e os incêndios criminosos em Roraima. Cenas repetidas do fogo destruindo uma vasta região no Norte do Estado, mais precisamente no Município de Amajari, coincidiram com o início do período de Carnaval, quando as atenções ficam focadas para a folia,
O que foi visto na sexta-feira, 13, em Amajari, nas fazendas às margens do trecho norte do BR-174, foi um cenário de tragédia anunciada, uma vez que na semana anterior incêndios criminosos avançaram sobre o lavrado e casas na Comunidade Indígena Três Corações, na entrada daquele município sem que houvesse uma resposta efetiva das autoridades em todos os níveis de governo para enfrentar o avanço do fogo em outras áreas.
Não deu outra. O fogo com indício de ter sido ateado criminosamente nas áreas de lavrado fazendas provocou um mega incêndio que resultou em uma tragédia ambiental que não poupou a vida de animais silvestres. A Defesa Civil Municipal do Amajari, que atua com baixo efetivo e estrutura limitada, esteve no local e registrou o cenário de horror, com jabutis e capivaras carbonizados e outras com queimaduras correndo desesperadas para escapar das chamas.
Até aquele momento, quem evitou as tragédias ambientais foram as condições climáticas provocadas pelo La Ninã, com chuvas frequentes que caíram por toda região Norte e evitaram o costumeiro período de seca severa nos últimos três meses de 2025 e no primeiro trimestre de 2026. Mas bastou uma estiagem de duas semanas para que ocorresse a primeira grande tragédia provocada pelo fogo no Estado.
No entanto, ao longo desse período de verão atípico, era possível observar que os incendiadores do meio ambiente já ensaiavam uma ação mais contundente, com focos de incêndios ao longo do trecho norte da BR-174 e da principal rodovia do Amajari, a RR-203, que dá acesso ao mais importante ponto turístico do Estado, a Serra do Tepequém. E ninguém tomou providências a fim de evitar o que foi visto na sexta-feira passada.
Historicamente foi assim, com as autoridades sempre correndo atrás do prejuízo e nunca se antecipando com campanhas educativas efetivas, orientações nas comunidades indígenas e fazendas, atuações conjuntas fora dos gabinetes refrigerados para uma mobilização imediata e toda estrutura necessária para os incêndios não escalem para uma tragédia ambiental a exemplo do que ocorreu no Amajari.
A falta de uma estrutura minimamente eficiente logo pôde ser vista, pois as autoridades ambientais só começaram a chegar para conferir o que ocorreu naquela região mais de 24 horas depois, quando as notícias repercutiram na imprensa também com um atraso surpreendente. Nada fora do roteiro de descaso e omissão. Como todos estão focados na folia, se esses incêndios seguirem nesse período, mais tragédias anunciadas podem ocorrer com mais força.
*Colunista
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