O PL anunciou nesta 2ª feira (16.fev.2026) que vai adotar medidas judiciais contra o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A legenda afirma que a apresentação teve caráter político-eleitoral ao exaltar o petista, que disputará a reeleição, e fazer referências críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em nota, o partido cita o uso de jingle associado a campanhas anteriores, menções a número de urna, referências visuais ao PT e alegorias que destacariam promessas de governo. Para a sigla, o conjunto caracterizaria propaganda antecipada de candidatura e possível abuso de poder político, sobretudo por se tratar de evento com recursos públicos –a escola recebeu R$ 1 milhão da Embratur.
O PL também cita reportagens de veículos de mídia que afirmam que a primeira-dama Janja pediu a empresários que doassem recursos para a Acadêmicos de Niterói: “Para além do financiamento público, agrava o quadro a informação veiculada pela imprensa credenciada de que a própria Presidência da República acionou empresários com contratos e interesses na administração federal, para que doassem dinheiro à escola”.
A nota acrescenta que “o casal presidencial selecionou e convidou os artistas que desfilaram pela escola”, o que, segundo o PL, indicaria uso da máquina pública com finalidade eleitoral. A legenda declara que o caso é inédito e que precisa ser analisado à luz da jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da Oposição no Senado, afirmou que o desfile “ultrapassa todos os limites do razoável” ao ser “transformado em palanque político a favor do presidente”. Segundo ele, “instrumentalizar um desfile — que deveria ser espaço de manifestação artística — para promover autoridade pública, com nítido viés eleitoral, afronta a ética, o equilíbrio democrático e o princípio da isonomia”.
Marinho afirmou que a oposição adotará “todas as medidas judiciais cabíveis, com a provocação da Justiça Eleitoral, para que se apure eventual abuso de poder político e uso indevido de estruturas que deveriam servir a todos os brasileiros”. O senador informou que, caso sejam constatadas irregularidades, devem ser aplicadas as sanções previstas na legislação.

Eis o que disseram outros congressistas do PL:
- Carlos Portinho (PL-RJ), líder do PL no Senado – disse ao Poder360 que o caso configura “abuso de poder econômico e político”. Ele também criticou o Judiciário e o Ministério Público ao afirmar que “os maiores abusos e crimes têm se tornado banais”;
- Cabo Gilberto Silva (PL-PB) – líder da Oposição na Câmara – declarou ao Poder360 que o desfile foi “um show de horrores” e classificou o episódio como “desrespeito à fé cristã e ao povo brasileiro”;
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara – escreveu em seus perfis nas redes sociais que, “se o objetivo da Escola de Samba fosse contar a história do Lula, faltou no enredo falar a principal parte, as condenações em 3 instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro”.

O Poder360 procurou a Secom (Secretaria de Comunicação Social) para perguntar se o governo federal gostaria de se manifestar a respeito da posição de partidos e congressistas de oposição. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
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