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Evento marca uma etapa estratégica para implementar protocolos internacionais de saúde do sangue que reduzem custos hospitalares
Fotos: Evandro Seixas/ SES
Em um movimento estratégico para modernizar a gestão da saúde pública do estado, a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) iniciou, nesta quinta-feira (28/05), o I Simpósio Amazônico de Patient Blood Management (PBM). O evento, que se estende esta sexta-feira (29/05), reúne grandes referências nacionais e globais da área com foco em hematologistas, cirurgiões, anestesistas e gestores dos setores público e privado.
Na sessão de abertura do evento, que acontece no auditório do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam), a coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Luciana Carlos, explicou que a experiência do PBM no Brasil é fortemente aguardada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). ”O Brasil é um país que tem potencial para ser exemplo e motivador na incorporação desta metodologia de cuidado com o sangue. Devemos nos comprometer a fazer tudo o que pudermos para executar isso na América Latina e, por que não, em toda a América”, destacou a coordenadora.
Representando o governador Roberto Cidade, a secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, apontou os avanços da rede estadual na qualificação da assistência e os desafios geográficos locais. “Discutir inovação, tecnologia e evidências científicas é fundamental para fortalecer o sistema de saúde no Amazonas. Temos um estado com características únicas e desafios logísticos incomparáveis. Momentos como este são estratégicos para construirmos soluções integradas e avançarmos na qualidade do cuidado”, afirmou a secretária.
Fotos: Evandro Seixas/ SES
O PBM-AM
O Patient Blood Management, ou Gerenciamento do Sangue da Pessoa, consiste em um conjunto de diretrizes internacionais chanceladas pela OMS que redesenham a segurança transfusional. No Brasil, onde são realizadas mais de 3 milhões de transfusões sanguíneas anualmente, cerca de 8 mil por dia, a metodologia busca substituir a transfusão tradicional por protocolos alternativos sempre que possível.
Segundo a diretora-presidente do Hemoam, Socorro Sampaio, o Amazonas pavimenta esse caminho desde 2023, quando lançou seu manual de transfusão sanguínea. “Estamos preparando a publicação da portaria estadual que vai criar o programa de cuidado do sangue da pessoa. Temos ainda uma programação de cursos sobre o PBM para capacitar mais de 200 profissionais. O PBM é um imperativo ético, técnico e econômico”, comentou a diretora. A nova portaria estabelecerá um prazo regulamentar para a adequação de gestores e estabelecimentos de saúde da rede.
A implantação do programa terá como base inicial o novo Hospital do Sangue Idenir Araújo Rodrigues, equipado com 190 leitos. O modelo é inspirado no caso de sucesso do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Ceará (Hemoce). “Devemos pensar que uma transfusão de sangue deve ser feita somente quando for realmente necessário. Investimento em PBM vira economia em custos de saúde”, defendeu a diretora do Hemoce, Denise Brunetta. Em oito anos, a experiência cearense poupou 95 mil bolsas de sangue e gerou uma economia de R$129 milhões.
Programação
A programação do simpósio é liderada pelo médico Axel Hofmann, liderança global em PBM junto à OMS. O corpo de palestrantes também conta com Luciana Carlos (Ministério da Saúde), Denise Brunetta (Hemoce), Youko Nokui (Hospital das Clínicas de São Paulo) e Iê Fernandez, do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna do Pará.
O evento é uma iniciativa conjunta do Governo do Amazonas, Secretaria de Saúde do Amazonas (SES-AM), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), Fundação Hemoam, Conselho Regional de Medicina (Cremam), Vifor Pharma e CEI Group.
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