Alessandro Cohen destaca apoio de Silas Câmara, legado de Wilson Lima e parceria com Roberto Cidade em encontro com lideranças da pesca
MANAUS (AM) – A pesca artesanal do Amazonas voltou ao centro da agenda institucional do setor primário com a assinatura de um convênio de R$ 2 milhões destinado à aquisição de insumos e equipamentos para pescadores do interior do Estado. O ato ocorreu na manhã de 24 de junho, no Taj Mahal Hotel, em Manaus, durante encontro que reuniu cerca de 40 presidentes de entidades ligadas à pesca e marcou também a eleição da nova diretoria da Federação dos Sindicatos dos Pescadores do Amazonas, com a recondução de Braguinha à presidência.
O convênio, viabilizado por emenda do deputado federal Silas Câmara junto ao Ministério da Pesca e Aquicultura, prevê a compra de 37 lanchas com motor de 25 HP e cobertura, além de 500 motores rabeta. Os equipamentos serão destinados a pescadores artesanais de municípios do interior, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho, ampliar a capacidade de deslocamento nos rios e fortalecer a estrutura operacional das comunidades que dependem da atividade pesqueira.
Representando o Governo do Amazonas, o secretário estadual de Pesca e Aquicultura, Alessandro Cohen, assinou o convênio e destacou o que classificou como um novo momento para o setor. Segundo ele, desde 2023 a pesca artesanal passou a ocupar posição mais efetiva na formulação de políticas públicas estaduais, com ações de regularização, entrega de equipamentos, apoio técnico, articulação com entidades representativas e maior presença do Amazonas nos debates nacionais da pesca.

Cohen agradeceu o apoio do deputado federal Silas Câmara, citou o papel do ex-governador Wilson Lima na criação da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura e ressaltou a continuidade das ações sob a gestão do governador Roberto Cidade. Em discurso às lideranças presentes, afirmou que Silas Câmara, Wilson Lima e Roberto Cidade construíram uma relação de reconhecimento com pescadores e aquicultores, ao afirmar que “vieram para ficar no coração do pescador e do aquicultor”.
A fala teve forte conteúdo político e simbólico, mas também refletiu uma mudança administrativa concreta: a pesca, antes tratada dentro da estrutura da produção rural, passou a contar com uma secretaria própria no Governo do Amazonas. A Sepa, comandada por Alessandro Cohen, assumiu a missão de formular, coordenar e executar políticas públicas voltadas à pesca artesanal, aquicultura, piscicultura, pesca esportiva e demais segmentos vinculados à cadeia produtiva do pescado.
Entre as ações mais recentes destacadas pela pasta está o programa Atualiza Pescador, que desde 2023 alcançou a marca de 5 mil kits entregues a pescadores artesanais. A quarta fase do programa prevê novas entregas de equipamentos de proteção individual e itens de apoio ao trabalho nos rios, como camisa de proteção UV, chapéu de sol, colete salva-vidas, lona resistente e protetor solar. O programa também atua na atualização cadastral de colônias, sindicatos e associações, condição considerada essencial para que os pescadores possam acessar benefícios, editais, crédito e políticas públicas.

Em janeiro de 2026, durante agenda no município de Iranduba, o Governo do Amazonas anunciou a meta de atender mais de 60 mil pescadores e pescadoras artesanais de 52 municípios. Na mesma agenda, foi anunciada a previsão de R$ 10 milhões em financiamento pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas, destinados à aquisição de equipamentos como motores, canoas e outros instrumentos necessários à melhoria da produção e da renda dos pescadores.
A atuação da Sepa também alcança a aquicultura. Em 2024, a secretaria registrou a entrega de 400 mil alevinos a piscicultores, incluindo 96 mil alevinos de tambaqui destinados a produtores de Rio Preto da Eva. A iniciativa buscou fortalecer a produção local de pescado, reduzir a dependência de oferta externa e ampliar a renda de produtores assistidos pelo sistema estadual de produção rural.
Outro eixo de atuação é o ordenamento pesqueiro. Em 2025, a Sepa participou de oficinas voltadas à pesca do mapará no Careiro da Várzea, com capacitação de pescadores sobre regras de manejo, período de defeso, organização da produção e negociação com compradores. Esse tipo de ação é considerado estratégico porque combina preservação dos estoques pesqueiros, segurança jurídica para os trabalhadores e melhoria da comercialização.
A secretaria também teve papel de articulação em momentos de emergência. Durante a estiagem de 2024, quando comunidades pesqueiras foram afetadas pela redução dos rios, o Governo do Amazonas enviou ajuda humanitária a pescadores cadastrados em representações coletivas. A ação incluiu cestas básicas destinadas a entidades da categoria e contou com participação da então estrutura executiva de pesca vinculada à Sepror.
No plano nacional, o Amazonas passou a disputar maior protagonismo nas discussões sobre a pesca artesanal. Em fevereiro de 2025, Manaus sediou plenária regional da Região Norte para construção do Plano Nacional da Pesca Artesanal 2025–2035, conduzido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. O encontro reuniu representantes do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, com debates sobre diretrizes, metas, prazos e ações para orientar políticas públicas voltadas aos pescadores artesanais na próxima década.
A agenda terá novo desdobramento no dia 30, com a realização do Encontro Estadual de Aquicultura e Pesca, previsto para ocorrer na sede da OAB Amazonas, em Manaus. A programação deve reunir representantes do Ministério da Pesca, presidentes de associações, colônias, sindicatos e técnicos ligados ao setor. Segundo a organização, cerca de 171 participantes estão inscritos.
A expectativa é que o encontro aprofunde o debate sobre regularização, crédito, infraestrutura, equipamentos, sustentabilidade, assistência técnica, aquicultura, pesca artesanal e fortalecimento das entidades representativas. Para o setor, o desafio é transformar entregas pontuais em política pública permanente, com critérios transparentes, alcance municipal, acompanhamento técnico e capacidade de gerar renda real para famílias que vivem da pesca no interior amazonense.
Com o novo convênio de R$ 2 milhões, a Sepa amplia o conjunto de ações iniciado nos últimos anos e reforça a relação entre Governo do Estado, bancada federal, Ministério da Pesca e entidades da categoria. O impacto efetivo dependerá da execução do recurso, da distribuição dos equipamentos aos beneficiários finais e da continuidade de programas capazes de atender a realidade dos pescadores nos rios, lagos e comunidades do Amazonas.
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