A reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos, realizada na quarta-feira (17/6), ocorre uma semana após o deputado estadual Wilker Barreto (PSD) visitar o Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA LabClim) para discutir com pesquisadores os impactos do fenômeno El Niño no Amazonas. Atualmente, o centro de pesquisas enfrenta risco de paralisação por falta de recursos.
“Nossa primeira missão é salvar o projeto, porque ele se encerra no fim deste ano. Não consigo imaginar um estado com as particularidades do Amazonas sem informações climáticas com a precisão e a qualidade produzidas pelo LabClim”, destacou o deputado Wilker Barreto.
Laboratório pode auxiliar no planejamento climático
O tema ganha ainda mais relevância diante da situação enfrentada pelo laboratório. Apesar de desenvolver pesquisas voltadas ao monitoramento climático e à elaboração de cenários que auxiliam órgãos públicos na tomada de decisões, a estrutura corre risco de encerrar atividades por falta de recursos para manutenção e continuidade dos projetos.
“O LabClim é essencial. Tanto que o decreto de emergência climática foi fundamentado em informações técnicas produzidas pela academia e pelo comitê criado anteriormente pela Fapeam. Isso demonstra a importância desse trabalho para o monitoramento e a compreensão dos eventos climáticos que afetam o Amazonas”, destacou o parlamentar.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou recentemente um informativo indicando condições favoráveis para o desenvolvimento de um novo evento de El Niño durante o segundo semestre de 2026. As projeções apontam probabilidade superior a 80% de estabelecimento do fenômeno, com possibilidade de persistência até 2027.
“Esses estudos são fundamentais porque permitem o planejamento logístico do Polo Industrial de Manaus e das atividades do comércio. Infelizmente, eventos climáticos extremos podem se tornar o nosso novo normal, e precisamos avançar em pautas estruturantes para que o Amazonas esteja preparado para essa realidade”, destacou o parlamentar, que preside a Comissão de Indústria, Comércio e Zona Franca da Assembleia Legislativa do Amazonas.
Governo prevê seca semelhante à de 2023
Durante reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos, o governador Roberto Cidade afirmou que o Amazonas poderá enfrentar uma estiagem semelhante à de 2023 e anunciou o reforço das ações preventivas do Estado. Segundo a Defesa Civil, as projeções apontam para uma vazante mais intensa dos rios no segundo semestre de 2026, cenário associado ao desenvolvimento do fenômeno El Niño.
“Estamos nos antecipando à seca deste ano, que será muito próxima a que aconteceu em 2023. Hoje, nós estamos preparados e tomamos medidas para minimizar o sofrimento da nossa população, nos mais longínquos municípios e comunidades, e nos reunimos para que possamos buscar apoio do Governo Federal, de governos internacionais, porque é um evento climático que acontecerá no mundo todo”, destacou o governador Roberto Cidade.
Enquanto o governo amplia as ações de preparação para enfrentar os efeitos da seca, a situação do laboratório da UEA reacende o debate sobre o papel da ciência na formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas no estado.
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