O senador Flávio Bolsonaro (PL) intensifica as articulações políticas para a construção dos principais palanques estaduais de sua pré-campanha à Presidência da República, em um esforço para mitigar o impacto das recentes crises políticas que passaram a rondar sua candidatura. A avaliação de aliados próximos indica que a consolidação dessas alianças nos maiores colégios eleitorais do país tornou-se uma prioridade estratégica, visando evitar que disputas internas e desgastes regionais comprometam a estratégia nacional do PL.
Da IstoÉ
O que aconteceu
Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, acelera as articulações estaduais para a sua pré-campanha presidencial, visando consolidar alianças e reduzir crises.
Minas Gerais e Rio de Janeiro apresentam-se como focos de maior dificuldade, com indefinições sobre candidaturas e crises políticas impactando diretamente os planos.
Apesar dos desafios nessas regiões, a campanha busca a consolidação de outros palanques importantes pelo país para fortalecer a imagem de unidade da direita.
O cenário político mais delicado e complexo para a pré-campanha está justamente em dois estados considerados cruciais para qualquer projeto presidencial de envergadura: Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ambos os estados, com suas particularidades regionais, exigem esforços redobrados do grupo político.
Por que minas gerais é um desafio?
Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, o grupo bolsonarista ainda não conseguiu alcançar um consenso sólido sobre quem será o representante do campo da direita na disputa pelo governo estadual. Essa indefinição causa preocupação na equipe de Flávio Bolsonaro, especialmente após o Partido dos Trabalhadores (PT) encaminhar a candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT), movimento que fortalece o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado.
O principal impasse em Minas gira em torno do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que aparece como líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo mineiro. Apesar do favorável desempenho eleitoral, o Republicanos ainda delibera internamente qual será o futuro político do parlamentar, contemplando a possibilidade de uma candidatura ao Senado Federal ou até mesmo à Presidência, o que inviabiliza uma definição imediata.
Outro obstáculo significativo é o ex-governador Romeu Zema (Novo), que permanece como uma das principais lideranças políticas do estado. Zema apoia Mateus Simões (PSD), seu vice durante o mandato, como sucessor no comando de Minas, enquanto o Partido Liberal (PL) resiste em oferecer seu apoio a essa indicação.
Adicionalmente, integrantes do próprio PL, como Vitório Medioli e Flávio Hosc, tentam viabilizar suas próprias candidaturas ao governo estadual, o que contribui para aumentar a fragmentação e a disputa interna no campo bolsonarista em Minas Gerais.
crises no rio de janeiro ampliam pressão
Se a situação em Minas Gerais representa um problema de falta de consenso, o Rio de Janeiro, berço eleitoral da família Bolsonaro, transformou-se no principal foco de desgaste político da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O estado fluminense enfrenta uma sequência de crises que compeliram o senador a reorganizar rapidamente sua estratégia regional.
Para conferir estabilidade ao palanque fluminense, Flávio Bolsonaro confirmou o senador Carlos Portinho (PL) como candidato à reeleição para o Senado, encerrando uma disputa interna com setores mais ideológicos da legenda. Na tentativa de expandir a base de apoio, também foi definida a indicação do deputado estadual Samuel Malafaia (PL) — irmão do pastor Silas Malafaia — como primeiro suplente da chapa, em um movimento estratégico voltado ao eleitorado evangélico.
A crise mais severa, contudo, envolveu o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), que era considerado uma peça importante na composição da chapa para o Senado. Canella foi detido durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a uma rede de postos de combustíveis. A investigação revelou que ele foi preso em flagrante após policiais encontrarem um fuzil calibre 5,56 sem registro dentro de seu veículo, agravando a situação.
O episódio de Márcio Canella forçou o grupo político de Flávio Bolsonaro a buscar urgentemente um novo nome para ocupar a vaga na chapa, enquanto negocia ativamente com lideranças da federação composta por Progressistas (PP) e União Brasil.
Avanço na consolidação nacional
Apesar das notáveis dificuldades enfrentadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, a campanha de Flávio Bolsonaro já conseguiu estabelecer e definir alguns dos principais palanques em outras regiões do país, mostrando progresso na consolidação nacional.
Em São Paulo, a aposta política recai sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), amplamente considerado um dos mais importantes aliados nacionais do senador. No Espírito Santo, o apoio está concentrado no prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), um nome forte na capital capixaba.
Na Região Sul, o PL também trabalha incansavelmente para consolidar alianças com figuras proeminentes como o senador Sergio Moro (União Brasil-PR), o governador Jorginho Mello (PL-SC) e o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), buscando fortalecer sua presença nos três estados sulistas.
Já nas regiões Centro-Oeste e Norte do país, o partido está em fase de negociação para garantir apoios com lideranças locais do PL, do PP e de partidos aliados, embora ainda persistam indefinições em alguns estados dessas importantes regiões.
Como a estratégia visa reduzir ruídos?
Nos bastidores políticos, aliados estratégicos de Flávio Bolsonaro avaliam que a rápida definição dos palanques estaduais é tida como um elemento fundamental para reduzir ruídos internos. Além disso, essa consolidação busca fortalecer a imagem de unidade da direita e permitir que o senador possa concentrar sua campanha em pautas e debates de abrangência nacional, essenciais para uma disputa presidencial.
A expectativa dentro do grupo é de que as principais pendências e indefinições sejam solucionadas nas próximas semanas, prevenindo que disputas regionais prolongadas e desgastantes enfraqueçam o início efetivo da campanha presidencial de 2026, permitindo um foco claro nos desafios maiores.
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