Primeiro do Norte, a novidade elimina fonte radioativa, assegurando a prevenção da Doença do Enxerto contra Hospedeiro e aumentando em 200% a capacidade produtiva
Foto: Leonardo Mota/Hemoam
A Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) recebe um importante avanço na Segurança Transfusional, o novo irradiador de sangue, RayCell®️ Mk2. O equipamento é fruto da parceria com o Escritório de Segurança Radiológica/ Administração Nacional de Segurança Nuclear dos Estados Unidos da América – DOE/NNSA/USA (ORS).
Para o diretor de Hemoterapia e diretor-presidente em exercício do Hemoam, Sérgio Albuquerque, o novo irradiador representa uma renovação na biossegurança da Fundação por reduzir a quase zero os riscos operacionais.
“O anterior utilizava Césio-137, que emitia radiação continuamente. Com o novo sistema, a irradiação é feita por raios-X produzidos eletricamente. Não há necessidade de armazenar material radioativo, pois a radiação é gerada apenas durante o funcionamento”, explica Sérgio Albuquerque.
O novo equipamento é capaz de irradiar 45 bolsas de concentrado de hemácias por hora, um ganho de 200% em relação ao modelo anterior, beneficiando pacientes submetidos a transplantes de medula óssea, pacientes com imunodeficiências, pacientes onco-hematológicos, recém-nascidos em situações específicas, receptores de transfusões e outras indicações previstas em protocolos clínicos.
Fotos: Leonardo Mota/Hemoam
A iniciativa do programa norte-americano é substituir equipamentos radioativos por alternativas tecnológicas avançadas e seguras afim de reduzir os riscos de terrorismo radiológico ao redor do mundo. Ao ser contemplado, o Hemoam livra seu parque tecnológico de radiação e otimiza o serviço de irradiação de bolsas de sangue.
Segurança Transfusional
Irradiar as bolsas de sangue é a maneira eficaz de prevenir a Doença do Enxerto contra Hospedeiro Pós-Transfusional (DECH-AT), uma patologia rara, porém com altíssima taxa de letalidade em pacientes imunodeprimidos e oncológicos.
O novo equipamento funciona impedindo a multiplicação de linfócitos presentes no sangue do doador, fazendo com que a sua bolsa de sangue não se transforme num vetor para a DECH-AT. Segundo Marcelo Reis, Coordenador de Fracionamento do Hemoam, a nova aquisição reforça o compromisso do Hemoam com a qualidade dos serviços prestados à população do Amazonas.
“A iniciativa reforça o compromisso institucional com a qualidade dos serviços prestados à população, ampliando a segurança dos pacientes e consolidando o Amazonas como referência regional na adoção de tecnologias avançadas aplicadas à hemoterapia”, explica Reis.
Parceria Internacional
A viabilização do novo equipamento é resultado de uma parceria estratégica entre o Hemoam e o ORS, programa do governo dos Estados Unidos vinculado ao Departamento de Energia (DOE) e a NNSA.
O equipamento é avaliado em R$ 285 mil dólares. O investimento total na operação é de R$ 2 milhões, um valor que abrange um ciclo completo de modernização e segurança, indo além da aquisição do equipamento. O escopo da operação incluiu:
Infraestrutura e Tecnologia: A fabricação do equipamento no Canadá, exclusivamente elaborado para a realidade do Hemoam, sua importação, transporte e a construção de uma sala especializada no setor de fracionamento, projetada para as novas exigências técnicas;
Capacitação e Operação: A validação completa do sistema e o treinamento rigoroso das equipes técnicas do Hemoam;
Manutenção e Suporte: Garantia de manutenção por dois anos (renovável por mais dois), incluindo o fornecimento de peças sobressalentes estrategicamente selecionadas para assegurar a continuidade da operação pelos próximos dez anos;
Responsabilidade Ambiental e de Segurança: A remoção segura do antigo irradiador com Césio-137, que foi transportado sob protocolos rigorosos para a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em Belo Horizonte, onde a fonte radioativa será eliminada definitivamente, eliminando riscos de emergências radioativas como a de 1987, em Goiás.
Foto: Leonardo Mota/Hemoam
“Esta não é apenas uma compra de equipamento, mas uma operação internacional de alta complexidade que garante o ciclo de vida seguro da nossa tecnologia e a eliminação de riscos radiológicos. Com esse suporte, o Hemoam deixa um legado de segurança para a sociedade e para o meio ambiente pelos próximos anos”, destaca Sérgio Albuquerque.
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