Um grupo de 22 países divulgou um comunicado conjunto, inicialmente publicado na 5ª feira (19.mar.2026) e ampliado com novas adesões até sábado (21.mar), para condenar a escalada no estreito de Ormuz e cobrar a retomada da navegação comercial na região. Eis a íntegra do documento (PDF – 327 kB).
O texto foi divulgado no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), elevou a pressão sobre o Irã e deu prazo de 48 horas para o país reabrir “completamente” a rota, sob ameaça de ataque a usinas de energia iranianas, “começando pela maior”.
No comunicado, os países dizem condenar “nos termos mais fortes” os “ataques recentes do Irã a embarcações comerciais desarmadas no Golfo”, os ataques a infraestrutura civil, “incluindo instalações de petróleo e gás”, e o “fechamento de fato do estreito de Ormuz por forças iranianas”.
Em outro trecho, afirmam estar “profundamente preocupados com a escalada do conflito” e pedem que Teerã interrompa “imediatamente” ameaças, lançamento de minas, ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear a passagem de navios comerciais.
A declaração conjunta reforça que “a liberdade de navegação é um princípio fundamental do direito internacional”, inclusive no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Os signatários também dizem que os efeitos das ações iranianas “serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente as mais vulneráveis”, numa referência ao impacto sobre o abastecimento e os preços da energia.
Os preços do petróleo já superam US$ 100 por barril, e Trump anunciou na 6ª feira (20.mar) a suspensão temporária de sanções ao petróleo iraniano que já estava em trânsito, numa tentativa de conter as cotações.
Ao citar a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU, o grupo declara que a interferência na navegação internacional e a ruptura das cadeias globais de energia “constituem uma ameaça à paz e à segurança internacionais”. Por isso, cobra “moratória imediata e abrangente” contra ataques à infraestrutura civil, sobretudo instalações de petróleo e gás.
O comunicado também afirma que os países estão prontos para “contribuir com esforços apropriados para assegurar passagem segura pelo estreito”, saúda a decisão da Agência Internacional de Energia de autorizar a liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo e promete adotar outras medidas para estabilizar o mercado, inclusive com articulação com nações produtoras para elevar a oferta.
Eis os países que assinaram o comunicado:
- Alemanha;
- Austrália;
- Bahrein;
- Canadá;
- Coreia do Sul;
- Dinamarca;
- Emirados Árabes Unidos;
- Eslovênia;
- Estônia;
- Finlândia;
- França;
- Holanda;
- Itália;
- Japão;
- Letônia;
- Lituânia;
- Noruega;
- Nova Zelândia;
- Reino Unido;
- República Tcheca;
- Romênia;
- Suécia.
Na parte final, os governos afirmam que “a segurança marítima e a liberdade de navegação beneficiam todos os países” e pedem que os Estados “respeitem o direito internacional” e preservem “os princípios fundamentais da prosperidade e da segurança internacionais”.
Leia o comunicado na íntegra:
“Condenamos nos termos mais fortes os recentes ataques do Irã a embarcações comerciais desarmadas no Golfo, os ataques a infraestrutura civil, incluindo instalações de petróleo e gás, e o fechamento de fato do Estreito de Ormuz por forças iranianas.
“Expressamos nossa profunda preocupação com a escalada do conflito. Instamos o Irã a cessar imediatamente suas ameaças, o lançamento de minas, os ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o estreito à navegação comercial, e a cumprir a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU.
“A liberdade de navegação é um princípio fundamental do direito internacional, inclusive sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
“Os efeitos das ações do Irã serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente as mais vulneráveis.
“Em conformidade com a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU, enfatizamos que tal interferência no transporte marítimo internacional e a interrupção das cadeias globais de fornecimento de energia constituem uma ameaça à paz e à segurança internacionais. Nesse sentido, pedimos uma moratória imediata e abrangente aos ataques contra infraestrutura civil, incluindo instalações de petróleo e gás.
“Expressamos nossa disposição de contribuir com esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo estreito. Saudamos o compromisso das nações que estão envolvidas em planejamento preparatório.
“Saudamos a decisão da Agência Internacional de Energia de autorizar a liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo. Tomaremos outras medidas para estabilizar os mercados de energia, incluindo o trabalho com determinados países produtores para aumentar a oferta.
“Também trabalharemos para fornecer apoio às nações mais afetadas, inclusive por meio das Nações Unidas e das instituições financeiras internacionais.
“A segurança marítima e a liberdade de navegação beneficiam todos os países. Instamos todos os Estados a respeitar o direito internacional e a defender os princípios fundamentais da prosperidade e da segurança internacionais.”
ESCALADA NA TENSÃO
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, em 24 de fevereiro, Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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