Dogan, condenado a 9 anos de prisão, chegou à audiência de muletas, com óculos escuros e máscara. Limitou-se a confirmar seu nome, data de nascimento e a informar que está sem profissão, segundo informações do Guardian.
O tribunal o julgou culpado por estuprar Pelicot em junho de 2019, depois de ser convidado por Dominique Pelicot, ex-marido da vítima. Segundo o processo, Dominique drogava Gisèle com soníferos e ansiolíticos misturados à comida e à bebida, e depois permitia que homens a violentassem na casa do casal, em Mazan, no sudeste da França.
Dos 51 condenados no caso, 17 inicialmente recorreram, mas 16 desistiram. Apenas Dogan manteve o pedido de apelação. O novo júri é composto por 9 integrantes: 5 homens e 4 mulheres.
Dominique Pelicot, considerado um dos piores criminosos sexuais da França moderna, cumpre 20 anos de prisão em regime fechado e deve testemunhar novamente. Durante o 1º julgamento, ele admitiu: “Sou um estuprador, e todos os homens acusados nesta sala são estupradores”.
Durante o processo de 2024, Dogan alegou acreditar que participava de um “jogo”. Segundo ele: “Não sou um estuprador. Isso é pesado demais para eu suportar”, disse na época. Seu advogado não comentou o novo julgamento.
O advogado de Gisèle, Antoine Camus, afirmou que ela preferiria evitar o sofrimento de reviver o caso, mas decidiu comparecer. “Ela estará lá para explicar que estupro é estupro, que não existe estupro leve”, disse.
Gisèle se tornou símbolo da luta feminista depois do julgamento dos seus estupradores. Em julho ela recebeu a Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta condecoração da França. Além disso, em abril, a revista norte-americana Time já havia reconhecido sua importância ao incluí-la entre as 100 personalidades mais influentes do ano.
Leia mais:
