O ICI (Índice de Confiança da Indústria) cedeu 0,7 ponto em outubro, atingindo 89,8 pontos –menor patamar desde o início da pandemia. O dado reflete pessimismo generalizado e cenário de desaceleração da atividade industrial.
Segundo análise do FGV Ibre, o recuo do indicador reforça o quadro adverso vivido pelo setor no 2º semestre. O principal fator de preocupação é o alto nível de estoques, que permanece acima do desejado em boa parte dos segmentos.
“Apesar de uma redução da incerteza e do mercado de trabalho aquecido, a indústria segue distante de um reaquecimento da demanda”, afirmou Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre.
A piora foi observada tanto nas avaliações sobre a situação atual quanto nas expectativas. O ISA (Índice da Situação Atual) caiu 0,8 ponto, para 94,2, e o IE (Índice de Expectativas) recuou 0,7 ponto, chegando a 85,4 –o menor nível desde junho de 2020. Entre os 19 segmentos pesquisados, 7 apresentaram retração da confiança.
No desdobramento dos indicadores, a situação atual dos negócios foi o componente de maior influência negativa, recuando 2 pontos. O indicador de estoques atingiu 106,4 pontos, o que sugere excesso de produtos prontos, o maior nível desde novembro de 2023. Já o nível de utilização da capacidade instalada caiu 0,7 ponto percentual, em 81,9%.
O pessimismo atravessa todas as categorias industriais, com destaque para produtores de bens duráveis, mais afetados pela política monetária restritiva. Os indicadores de produção prevista e otimismo para os próximos 6 meses também recuaram, enquanto as expectativas de emprego ficaram estáveis.
Os dados da pesquisa, coletados entre os dias 1º e 24 de outubro, apontam um setor industrial que mantém cautela, diante de cenário macroeconômico complexo, e sem sinais relevantes de reativação da demanda na reta final de 2025.
