POLÍCIA FEDERAL DESMANTELA REDE DE LAVAGEM BILIONÁRIA LIGADA AO TRÁFICO INTERNACIONAL (atualização)
BRASÍLIA (DISTRITO FEDERAL) – A Polícia Federal (PF) revelou novos desdobramentos da Operação Narco Bet, ação que mira uma sofisticada estrutura de lavagem de dinheiro a partir de recursos oriundos do tráfico internacional de drogas. Deflagrada em 14 de outubro, a operação se tornou uma das maiores ofensivas financeiras contra o crime organizado no país em 2025, com bloqueio judicial de mais de R$ 630 milhões, 11 prisões e 19 mandados de busca e apreensão em quatro estados.
Segundo a PF, a Narco Bet é desdobramento direto da Operação Narco Vela, deflagrada em abril, que investigava o transporte marítimo de toneladas de cocaína em embarcações brasileiras com destino à Europa. A nova etapa teria identificado o braço financeiro da organização, responsável por movimentar grandes somas por meio de casas de apostas on-line, corretoras de criptomoedas, empresas de fachada e contas em nome de “laranjas”.
Prisão de influenciador e contador revela a face pública do esquema
Entre os presos estão o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, e o empresário e contador Rodrigo de Paula Morgado, apontado como um dos operadores financeiros centrais do grupo.
Segundo as investigações, Morgado teria movimentado sozinho mais de R$ 300 milhões em operações suspeitas. Ambos tiveram prisão preventiva mantida pela Justiça Federal de São Paulo.
A PF contou com o apoio da Polícia Criminal Federal da Alemanha (BKA) para cumprir mandado de prisão internacional contra um dos investigados, cuja identidade não foi divulgada oficialmente. O caso reforça o caráter transnacional da organização, que mantinha conexões em sete países, incluindo Brasil, Alemanha, Espanha e Portugal.
Bens de luxo e rastros digitais
Durante as buscas, foram apreendidos veículos de luxo, documentos contábeis, computadores e celulares criptografados. Os investigadores também rastrearam ativos digitais movimentados em corretoras internacionais e em plataformas de apostas com servidores no exterior. Os valores bloqueados — superiores a R$ 630 milhões — atingem contas e bens de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos suspeitos.
As diligências ocorreram em Itajaí (SC), Mogi das Cruzes, São Paulo (capital), Santos, Barueri, Bertioga, Birigui e Igaratá (SP), além de Rio de Janeiro (RJ) e Lagoa Santa (MG).
Fontes ligadas à investigação indicam que a estrutura do grupo simulava ganhos em apostas on-line para “limpar” valores oriundos da exportação de drogas. Parte do dinheiro era reinvestida em imóveis, veículos de alto padrão e criptoativos.
Conexão com a Operação Narco Vela
A Narco Vela, origem do inquérito, já havia apreendido três toneladas de cocaína em um veleiro brasileiro em 2023. A operação teve apoio de agências internacionais como a DEA (EUA), Marinha da França, Guarda Civil da Espanha e Marinha do Brasil, resultando em 62 mandados de busca, 31 prisões temporárias e bloqueio de R$ 1,3 bilhão.
Com as novas evidências, a PF acredita ter identificado toda a engrenagem financeira e logística que sustentava o envio da droga e a lavagem de seus lucros.
Próximos passos
O material apreendido está sendo periciado em laboratórios da PF e deve subsidiar uma nova denúncia do Ministério Público Federal (MPF). Os suspeitos poderão responder por lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas, organização criminosa e evasão de divisas, com penas que podem ultrapassar 30 anos de prisão.
A Polícia Federal ainda não divulgou a lista completa de empresas investigadas no setor de apostas, mas confirmou que há indícios concretos de uso dessas plataformas como fachada para a movimentação ilícita.
